ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 22/10/2025

O livro “A escravidão”, do escritor Laurentino Gomes, evidencia como o Brasil foi construído sobre uma estrutura marcada pela exploração e desumanização de pessoas negras, cujos efeitos se estendem até a atualidade. Esse legado histórico contribuiu para a formação de uma sociedade desigual, na qual o racismo ainda se manifesta de diversas formas, agravado pela ausência de políticas reparatórias eficazes e pela falta de vizibilidade cultural e a desvalorização da cultura negra para a histórica.

Primeiramente, é necessário reconhecer que o racismo no Brasil decorre da herança histórica do período escravocrata, que, mesmo após a abolição em 1888, manteve a população negra excluída devido à ausência de políticas públicas de integração. Nesse contexto, a Lei nº 12.288/2010, o Estatuto da Igualdade Racial, busca promover a igualdade de oportunidades e combater a discriminação racial, mas sua efetividade é limitada diante do racismo estrutural presente nas instituições e nas relações sociais, evidenciando a necessidade de ações mais concretas para reparar séculos de desigualdade.

Além disso, a invisibilidade cultural e a desvalorização das contribuições da população negra reforçam o quadro de desigualdade apontado anteriormente. Apesar de sua importância na formação da sociedade brasileira, elementos da cultura negra são frequentemente marginalizados. Segundo o IBGE (2023), pretos e pardos representam 56,9% da população, mas recebem, em média, 43,2% menos que a população branca e apresentam maiores taxas de desemprego. Esses dados evidenciam como o racismo estrutural se manifesta tanto nas oportunidades econômicas quanto na subvalorização cultural, reforçando a necessidade de políticas que reconheçam e valorizem a contribuição negra.

Sendo assim, é dever do poder público implementar políticas afirmativas e programas de valorização da cultura negra, por meio de ações educacionais e incentivos à representatividade nos meios de comunicação e no mercado de trabalho. Dessa forma, a sociedade poderá reduzir as desigualdades históricas e combater tanto o racismo estrutural quanto a invisibilidade cultural da população negra, como forma de mitigar e combater tais desafios sociais.