ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 23/10/2025

Desde a abolição da escravidão em 1888, o Brasil ainda convive com as marcas profundas do racismo estrutural. Apesar de leis que o proíbem, como a nº 7.716/1989, a população negra segue sendo a mais afetada pela desigualdade social. Segundo o IBGE (2023), pessoas pretas e pardas representam cerca de 75% das vítimas de homicídio no país, o que demonstra que o preconceito permanece enraizado. Diante desse cenário, é necessário discutir caminhos eficazes para combater o racismo no Brasil, com foco na educação e na representatividade.

Em primeiro lugar, a educação é uma ferramenta essencial para desconstruir estereótipos e combater a discriminação. No entanto, o ensino ainda privilegia uma visão eurocêntrica, deixando de valorizar a cultura afro-brasileira. Conforme Paulo Freire, “a educação muda as pessoas, e as pessoas transformam o mundo.” Cumprir a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana, é fundamental para formar cidadãos conscientes e críticos. Investir em formação docente e materiais didáticos inclusivos pode transformar o ambiente escolar em espaço de respeito e igualdade.

Além disso, a falta de representatividade negra em cargos de poder reforça o preconceito. O Instituto Ethos (2022) aponta que apenas 4,7% dos executivos das grandes empresas são negros. A filósofa Djamila Ribeiro defende que ocupar espaços de decisão é uma forma de resistência. Logo, ampliar políticas de inclusão no mercado de trabalho e na mídia contribui para a quebra de barreiras e o fortalecimento do protagonismo negro.

Portanto, combater o racismo exige ações integradas. O Ministério da Educação deve fiscalizar o cumprimento da Lei 10.639 e capacitar professores sobre práticas antirracistas. Já o Ministério da Igualdade Racial, junto a empresas privadas, pode criar incentivos fiscais para companhias que promovam diversidade racial em cargos de liderança. Assim, será possível construir uma sociedade mais justa, igualitária e livre do preconceito.