ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 23/10/2025

O líder sul-africano Nelson Mandela afirmou que “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, pela origem ou pela religião”. Essa reflexão evidencia que o racismo é uma construção social, e, portanto, pode — e deve — ser desconstruído. No Brasil, embora a Constituição de 1988 garanta a igualdade entre todos, práticas discriminatórias ainda persistem e se manifestam em diversas esferas da vida cotidiana. Diante disso, combater o racismo requer ações educativas, culturais e institucionais que promovam a efetiva valorização da diversidade racial

Em primeiro lugar, é necessário destacar o aspecto histórico e social do problema. A abolição da escravidão, em 1888, não foi acompanhada de políticas de inserção dos ex-escravizados na sociedade, o que resultou em desigualdades estruturais que perduram até hoje. A população negra ainda enfrenta maior vulnerabilidade econômica, acesso limitado à educação e sub-representação em cargos de poder. Esse cenário perpetua o racismo estrutural, conceito explicado pela filósofa Djamila Ribeiro como um sistema de exclusão que atravessa instituições e mentalidades.

Além disso, há um desafio cultural. O preconceito racial é reforçado por estereótipos presentes na mídia e pela falta de representatividade positiva de pessoas negras em filmes e novelas. Essa invisibilidade contribui para a manutenção de uma visão distorcida da identidade afro-brasileira, o que torna essencial que a cultura e os meios de comunicação valorizem a contribuição do povo negro para a formação do país.

Diante desse contexto, medidas efetivas devem ser adotadas. O Ministério da Educação, em parceria com as redes estaduais e municipais de ensino, deve ampliar a aplicação da Lei 10.639/2003, garantindo a inclusão da história e cultura afro-brasileira nos currículos escolares. Além disso, a mídia e as plataformas digitais precisam promover campanhas de valorização da diversidade e combater o discurso de ódio racial. Por fim, organizações civis e culturais podem fomentar projetos de empoderamento e representatividade negra em comunidades. Tais ações, articuladas, contribuiriam para reduzir o preconceito e construir um país mais justo e igualitário.