ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/10/2025

O Brasil carrega, desde o período colonial, marcas profundas de desigualdade racial que permanecem no século 21, manifestando-se nos dados sociais, no mercado de trabalho e nas relações cotidianas. Mesmo após a abolição formal da escravidão, a população negra continuou à margem do acesso a direitos básicos, o que evidencia que a discriminação permanece enraizada. Nesse cenário, discutir caminhos para combater o racismo torna-se urgente para assegurar a dignidade humana e o cumprimento do princípio constitucional da igualdade.

Em primeiro lugar, a naturalização do preconceito contribui para sua reprodução. Muitas expressões e atitudes discriminatórias são repetidas sem reflexão crítica, reforçando estereótipos e tornando a violência simbólica quase invisível. Segundo a filósofa Djamila Ribeiro, o racismo é estrutural porque se manifesta nas instituições e também no cotidiano, e só pode ser superado quando enfrentado de maneira consciente. A ausência de uma educação voltada para as relações étnico-raciais nas escolas impede esse avanço.

Além disso, o racismo não se limita ao campo simbólico: ele também está presente nas desigualdades materiais. Dados do IBGE mostram que pessoas negras representam a maioria entre os desempregados e as vítimas de violência letal, evidenciando a dificuldade de acesso a oportunidades. Esse quadro revela a insuficiência de políticas públicas de inclusão e demonstra que a desigualdade racial segue como um obstáculo ao desenvolvimento social do país.

Portanto, para combater o racismo no Brasil, o Ministério da Educação deve ampliar a aplicação da Lei 10.639/03, promovendo formação continuada de professores e garantindo materiais pedagógicos que valorizem a história e a cultura afro-brasileira, a fim de desenvolver consciência crítica nos estudantes. Paralelamente, o Governo Federal, por meio de programas de geração de emprego e ações afirmativas, deve fortalecer políticas de inclusão que ampliem o acesso da população negra ao mercado de trabalho, visando reduzir desigualdades históricas. Assim, será possível caminhar em direção a uma sociedade mais justa e igualitária.