ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 25/10/2025

Muito se discute sobre como é um problema o racismo estrutural e institucional na sociedade brasileira, visto que viola os direitos humanos, além de provocar desigualdades históricas e afetar mais da metade da população brasileira, que se diz preta ou parda. Nesse sentido, o problema geralmente ocorre devido à herança histórica da escravidão aliada à ausência de políticas de inclusão efetivas, à falta de representatividade negra em posições de poder e também a uma cultura de discriminação racial naturalizada.

De acordo com dados do IBGE (de 2022), percebe-se uma desconexão profunda entre a composição demográfica do país e a distribuição de oportunidades. Enquanto negros e pardos constituem 56% da população brasileira, sua representação em cargos gerenciais é de apenas 34%. Esse número, por si só, já é revelador. Contudo, uma vez que reflete diretamente na disparidade salarial. Profissionais brancos em posições semelhantes chegam a ganhar até 70% a mais do que trabalhadores negros, conforme estudos do Dieese. Dessa forma, essa desigualdade econômica cria um ciclo de desvantagem intergeracional, dificultando a mobilidade social e, consequentemente, perpetuando padrões históricos de exclusão. Assim, é visível que o racismo institucional ainda sustenta as desigualdades socioeconômicas no país, reforçando a necessidade de combater essa estrutura que mantém a população negra em posição de desvantagem.

Segundo a professora e jurista Silvia de Almeida, doutora em Direito pela USP, “o combate ao racismo exige uma atuação interseccional do Estado, unindo educação, legislação e políticas econômicas”. Ela defende que a Lei 14.532/2023, que tipifica o racismo como crime inafiançável, representa um avanço, porém, precisa ser acompanhada de mudanças culturais.

Portanto, diante desse cenário, a implementação de uma educação antirracista desde a base escolar apresenta-se como solução fundamental para desconstruir o racismo estrutural no Brasil. Para isso, essa transformação deve ocorrer por meio da revisão dos materiais didáticos, da formação continuada de professores e, sobretudo a inclusão da história e cultura afro-brasileira.