ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/10/2025

A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito à dignidade e à igualdade. Contudo, no Brasil, a temática relacionada ao racismo evidencia que esses direitos nem sempre são plenamente garantidos. Tal problemática é resultado de fatores como a herança histórica da escravidão e a ausência de políticas públicas efetivas de inclusão racial, o que compromete o pleno desenvolvimento social. Diante disso, é fundamental analisar os principais desafios relacionados ao tema e propor intervenções eficazes.

Em primeiro plano, é importante destacar que a herança escravocrata contribui diretamente para a perpetuação do racismo estrutural. Segundo o historiador Laurentino Gomes, em Escravidão, o Brasil foi o último país do Ocidente a abolir oficialmente a escravidão, e não houve um processo de reparação ou integração social dos ex-escravizados. Isso demonstra que as marcas desse passado permanecem nas desigualdades raciais contemporâneas, como o acesso limitado de pessoas negras a espaços de poder e educação de qualidade. Assim, enquanto essa realidade persistir, a resolução da problemática se torna inviável.

Ademais, a insuficiência de políticas públicas voltadas à valorização da população negra também exerce forte influência sobre a situação. A filósofa Hannah Arendt afirma que “o essencial dos direitos humanos é o direito a ter direitos”. Entretanto, quando a população negra é sistematicamente privada de oportunidades, de representatividade e de segurança, esse princípio é violado, refletindo uma falha no cumprimento das garantias básicas previstas pela Constituição. Portanto, é evidente que medidas concretas devem ser adotadas para reverter esse cenário.

Diante do exposto, é necessário que o Governo Federal, em parceria com os estados e municípios, promova campanhas educativas e políticas de reparação racial, por meio de investimentos em educação antirracista, valorização da cultura afro-brasileira e ampliação de cotas raciais no ensino e no mercado de trabalho, com o objetivo de reduzir as desigualdades históricas. Além disso, é importante que a sociedade civil se engaje na luta contra o racismo, denunciando práticas discriminatórias e promovendo o respeito à diversidade, a fim de construir um país mais justo, igualitário e consciente.