ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/10/2025

Mesmo após mais de um século da abolição da escravidão, o racismo ainda persiste como uma das principais chagas sociais do Brasil. Presente nas relações cotidianas, no mercado de trabalho e nas instituições, ele limita oportunidades e perpetua desigualdades históricas. Essa realidade evidencia que a discriminação racial não é apenas um problema individual, mas uma estrutura social que precisa ser enfrentada de forma coletiva e contínua. Assim, discutir caminhos para o combate ao racismo é essencial para consolidar uma sociedade mais justa e igualitária.

Um dos fatores que dificultam esse enfrentamento é o racismo estrutural, conceito desenvolvido por intelectuais como Silvio Almeida, que explica como a discriminação está enraizada nas instituições e nas práticas sociais. A falta de representatividade e de políticas afirmativas amplia as desigualdades e reforça a exclusão da população negra. Apesar de avanços, como as cotas raciais e leis de combate à discriminação, o preconceito ainda se manifesta de maneira velada, evidenciando que o problema vai além da legislação — está na mentalidade coletiva e na omissão diante de atitudes racistas.

Outro obstáculo importante é a ausência de educação antirracista. Embora a Lei 10.639/2003 determine o ensino da história e cultura afro-brasileira, muitas escolas ainda negligenciam esse conteúdo, perpetuando estereótipos e apagando a contribuição da população negra. Como afirma Angela Davis, “numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista” — ou seja, é necessário agir ativamente contra qualquer forma de discriminação.

Portanto, combater o racismo no Brasil requer medidas que unam conscientização e transformação social. O Ministério da Educação deve garantir a efetiva aplicação da Lei 10.639, capacitando professores e ampliando o debate sobre igualdade racial nas escolas. A mídia, por sua vez, precisa valorizar a cultura negra e combater estereótipos. Já o poder público deve fortalecer políticas afirmativas e ampliar a presença de pessoas negras em espaços de decisão. Assim, será possível construir uma sociedade em que o respeito e a equidade racial deixem de ser ideias e se tornem realidade.