ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 24/10/2025
Na obra Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, a autora revela como a desigualdade racial está profundamente ligada à exclusão social no Brasil. Sendo assim, mesmo décadas após a publicação do livro, o racismo continua sendo um problema estrutural no país, afetando oportunidades de vida e violando direitos humanos básicos. Nesse sentido, observa-se que a persistência de práticas discriminatórias e a ausência de educação antirracista impedem a construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária.
Em primeira análise, o racismo estrutural ainda é um grande causador desigualdades históricas no Brasil. Diante disso, dados do IBGE (2023) indicam que pessoas negras representam a maioria entre os desempregados e os que recebem os menores salários, além de serem as principais vítimas de violência. Assim, essa realidade é consequência direta do processo de escravização e da falta de políticas de reparação após a abolição, como denunciou o sociólogo Gilberto Freyre ao afirmar que a falsa ideia de “democracia racial” apenas mascarou o preconceito existente. Assim, fica evidente que o racismo vai além de atitudes individuais, ele está enraizado nas instituições e no funcionamento da sociedade.
Ademais, a falta de educação voltada para a valorização da cultura afro-brasileira contribui para a manutenção do preconceito. Entretanto, embora a Lei 10.639/03 torne obrigatório o ensino de História e Cultura Africana nas escolas, muitos colégios não a aplicam de forma efetiva. Dessa forma, esse descumprimento impede que os estudantes compreendam a importância da população negra na formação do país, perpetuando estereótipos e marginalização. Nesse sentido, segundo Paulo Freire, a educação deve ser um instrumento de libertação e transformação social, mas isso só ocorrerá quando o ambiente escolar promover o respeito à diversidade.
Portanto, para solucionar essas problemáticas, é fundamental atuar tanto no campo institucional quanto no educacional. Para isso, cabê ao Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Estaduais de Ensino, fiscalizar e garantir a aplicação da Lei 10.639/03, por meio de formações obrigatórias para professores e inclusão de materiais didáticos que valorizem a cultura afro-brasileira.