ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 25/10/2025

O racismo no Brasil, herança histórica da escravidão, configura-se hoje como uma estrutura que marginaliza a população negra e indígena. Embora a Constituição o considere crime inafiançável, a ineficiência da legislação na prática e a perpetuação do preconceito social são os principais desafios ao seu combate.

Apesar da criminalização, o racismo resulta em pouca punição efetiva devido à ineficácia do sistema de justiça. A dificuldade de tipificação e a seletividade jurídica levam à impunidade, normalizando a violência simbólica e física. Tal fato contraria o princípio de Cesare Beccaria de que a certeza da pena é o fator mais dissuasivo, descredibilizando a lei e enfraquecendo a luta antirracista no país.

Outro desafio reside na formação educacional. O currículo escolar, ao longo do tempo, silenciou ou distorceu a história afro-brasileira e indígena, gerando um imaginário social eurocêntrico e preconceituoso. Embora a Lei 10.639/03 (obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana) exista, sua implementação desigual e superficial falha em desconstruir o racismo desde a base, perpetuando a lacuna de reconhecimento.

O combate ao racismo exige rigidez legal e transformação cultural.

Para a eficácia punitiva, o Poder Judiciário, via CNJ, deve criar Câmaras de Aceleração Processual para Crimes de Racismo. Essa ação, que envolverá a capacitação obrigatória de magistrados, visa garantir a celeridade e a certeza da punição. Para a transformação cultural, o Ministério da Educação (MEC) deve lançar o “Programa Nacional de Valorização da Cultura Afro-brasileira e Indígena”. A iniciativa deve ser executada pelas Secretarias de Educação para efetivar o ensino da Lei 10.639/03, destinando recursos e formação continuada para professores em parceria com intelectuais e ativistas, a fim de desnaturalizar o preconceito e construir uma sociedade justa.