ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 25/10/2025

Desde o período colonial, o racismo estrutura diversas dimensões da sociedade brasileira, manifestando-se de forma explícita e velada nas relações sociais, culturais e econômicas. O sociólogo Florestan Fernandes destacou que a abolição da escravidão não foi acompanhada de uma verdadeira integração do povo negro, perpetuando desigualdades históricas. Assim, mesmo diante de avanços legais e discursos de igualdade, o preconceito racial ainda se mantém como um obstáculo ao desenvolvimento de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Uma das principais problemáticas reside na naturalização do racismo no cotidiano, o que o torna silencioso e, portanto, mais difícil de ser combatido. Expressões linguísticas, piadas e atitudes discriminatórias, muitas vezes tratadas como “brincadeiras”, reforçam estereótipos e marginalizam grupos racializados. Essa banalização impede o reconhecimento da gravidade do problema, além de perpetuar a ideia de que vivemos em uma “democracia racial”, conceito amplamente desmentido por dados de desigualdade e pela ausência de representatividade negra em espaços de poder.

Outra questão relevante é o racismo estrutural, que se manifesta nas instituições públicas e privadas, restringindo o acesso da população negra a oportunidades de educação, trabalho e saúde. Segundo o IBGE, pessoas negras ainda representam a maioria entre os desempregados e as vítimas de violência no país. Essa desigualdade não é fruto do acaso, mas consequência direta de um sistema que historicamente negou direitos e apagou identidades. Portanto, o enfrentamento do racismo exige políticas públicas eficazes, que vão além do discurso e alcancem a realidade social.

Dessa forma, para combater o racismo no Brasil, é necessário investir em educação antirracista desde o ensino básico, promovendo o respeito à diversidade e a valorização da cultura afro-brasileira. Além disso, o Estado deve fortalecer políticas afirmativas e fiscalizar o cumprimento de leis como a 10.639/03, que inclui o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Somente com a ação conjunta de instituições, sociedade e indivíduos será possível romper com séculos de discriminação e construir um país mais justo e igualitário.