ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 28/08/2019

De acordo com a filósofa estadunidense Angela Davis, “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É preciso ser antirracista.”. Neste sentido, o combate ao racismo no Brasil não deve ser feito de maneira plácida, mas ativamente e por todos os setores e classes sociais.

Em primeiro plano, é necessário que o país se liberte das amarras que o mantém preso desde o período escravocrata. Sendo o último país do continente a abolir o regime de escravidão em 1888, o Brasil não criou nenhuma ação afirmativa para que os negros fossem de alguma maneira recompensados pelos 128 anos de escravidão. Pelo contrário; uma vez livres, os ex-escravos enfrentaram extrema dificuldade para encontrar trabalho, já que seus antigos senhores optavam pelos recém-chegados imigrantes europeus na hora de escolher seus empregados.

Nesse contexto, é visível que as ações desse período se perpetuaram quase de maneira absoluta. A população negra, por falta de oportunidades, passou a viver à margem da sociedade e acabou não ascendendo socialmente, de maneira geral. Segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica, de 2018, apenas 12% dos negros tem acesso ao ensino superior. A população branca tem mais acesso à faculdade, já que, segundo a mesma fonte, chega a 25% nas universidades. Esses números se invertem quando o assunto é a população carcerária. Segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, em 2017, 64% dos presos são negros, enquanto os brancos somam apenas 35%. E de acordo com dados recentes, 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros.

Infere-se, portanto, a necessidade da extensão das ações afirmativas existentes, com a intenção de diminuir essas diferenças. Visto que é de conhecimento geral que através da educação os índices de violência e desigualdade caem, uma boa medida seria o aumento das já criadas cotas raciais em universidades, e bolsas de permanência específicas para a população negra, não só nas universidades, mas um incentivo desde a educação básica, para que a chance de evasão seja menor. Em termos empregatícios, cotas para negros em empresas privadas são uma boa forma de garantir a essas pessoas um maior número de vagas de trabalho. A lei que criminaliza o racismo deve ser mantida e o crime de injúria racial deve ter o mesmo peso da primeira, sendo igualmente inafiançável e imprescritível. Todo ato racista deve ser veemente condenado pelos brasileiros, tenha ele sido cometido pela polícia, justiça ou sociedade. Assim, a fala de Davis se cumpre e garante a construção de uma sociedade cada vez mais igualitária e justa.