ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 10/09/2019
Na época das grandes navegações, em meados dos séculos XIV e XV, houve a busca exacerbada de acúmulo de capital, com a ascensão da burguesia. O Estado econômico vigente da época, mercantilista, exigia mão de obra manual barata e uso de povos negros de origem africana para a extração de recursos naturais. Esses povos eram comercializados como objetos e animais, pois não tinham direito algum e ainda eram maltratados por seus patrões, que na época, eram seus donos, e o indivíduo escravo, mera propriedade. Posteriormente, apenas no ano de 1888 foi decretada a lei Áurea, em que não seria mais permitido ser dono de outrem. Entretanto, esse passado servil e subalterno dos povos negros desenvolveu um estigma nocivo chamado racismo, que traz mazelas estruturais prejudiciais ao país.
Em primeiro lugar, é importante exemplificar a realidade da desigualdade social promovida pelo racismo. Exemplos noticiados nos jornais em que a polícia aborda mais negros do que brancos, crendices populares negativas de que negros são incapazes de progredir intelectualmente no âmbito acadêmico e o tratamento diferenciado em prestações de serviços, mesmo que velado, são evidências de que o racismo é uma realidade catalizadora de uma lamentável desigualdade social.
Por conseguinte, há uma parcela da população oprimida e segregada. A consequências da desigualdade social é a falta do exercício pleno da democracia. Sob esse viés, o sociólogo francês Alexis de Tocqueville era objetivo: um país só alcança verdadeiramente a democracia se o mesmo atingir o equilíbrio entre igualdade (tratamento igualitário) e liberdade. Logo, conclui-se que o Brasil precisa melhorar a sua igualdade, em especial, a social, para a conquista plena da democracia.
Portanto, é fundamental que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para o combate efetivo ao racismo, é necessário que os praticantes desse ato sejam devidamente punidos perante a lei. Em escalas culturais, urge que o Ministério da Educação viabilize, através de verbas governamentais, cartilhas educacionais assertivas escritas por sociólogos e psicólogos capacitados que abordem a respeito das consequências negativas do racismo e que as mesmas sejam amplamente distribuídas nos centros de ensino. Simultaneamente, incentivar o debate sobre as desigualdades sociais e raciais nas escolas, em disciplinas de sociologia e filosofia, promovido por professores capacitados, atingindo assim, a formação crítica e consciente dos cidadãos. Nessa perspectiva, será possível garantir uma igualitária dignidade aos cidadãos brasileiros.