ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 15/09/2019

Com a promulgação da lei áurea, pouco foi feito para evitar a marginalização dos ex-escravos, que após libertos permaneciam tratados pela sociedade como inferiores. Consequência disso, o brasileiro contemporâneo ainda preserva traços dessa visão racista, que aliada a um estado que é ineficiente em promover equidade, torna o problema pior. Logo, o racismo no Brasil é um problema cultural, que se propaga devido à falta de informação somada a um estado que não cumpre integralmente seu papel, fazendo-se necessário analisar o atual contexto para contornar essa situação.

Primeiramente, é necessário compreender que os indivíduos externalizam o problema o que dificulta o combate. Segundo a revista Galileu, 96% dos entrevistados não se considera racista, o que é incoerente visto a magnitude do problema. Sendo importante ressaltar, que isso é consequência do que Foucault intitula de ‘Sociedade da Vigilância’, na qual o indivíduo é visivelmente correto, porém, na ausência de punição esse fará de acordo com os seus valores. Em síntese, o próprio autor aponta que para contornar a situação é necessário ensinar o por que é importante não ter atitudes preconceituosas, para que este evite não pela obrigação de cumprir as leis e sim pela vontade de ter valores éticos.

Além disso, o estado não cumpre o seu papel com eficiência o que colabora para a existência de abismos sociais. Consequência disso, é o Brasil ter voltado ao ‘Mapa da Fome’ em 2018, logo após o corte de cerca de 390 mil auxílios do programa Bolsa Família, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 70% dos beneficiários desse serviço são negros. Portanto, o que segundo Rousseau é o principal dever do estado, que é promover a igualdade, não é feito de forma correta, o que intensifica problemas pré-existentes ao pôr negro em posição desfavorável, sendo dever dos seus membros (repensar) a atualidade e voltar atrás em algumas medidas.

Logo, é necessário lidar com a vertente individual do problema para solucionar este quadro. Portanto, os Ministérios da Educação e Cidadania, dentro das escolas — sendo o ambiente ideal para trabalhar valores educativos. Promova o debate sobre o racismo estrutural, por intermédio do investimento em palestras socioeducativas envolvendo pais, alunos e educadores, com conteúdo explicativo que desconstrua a imagem do negro como inferior. Com a finalidade de conscientizar esses indivíduos, possibilitando que essa questão saia do ambiente escolar e propague-se na sociedade. Para que assim o respeito seja algo que não necessite de coerção para ser obtido da população brasileira.