ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 28/10/2019

O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão e em 1888 com a Lei Áurea o negro brasileiro deixa de ser escravizado, mas continua a exercer funções semelhantes às de sua condição anterior. A abolição apesar de gradual com a Lei do Ventre Livre e a Lei do Sexagenário, veio desacompanhada de um projeto que assimilasse os negros libertos na atividade econômica e na esfera social. Logo, problemas como a violência física, que resulta em morte, e o racismo institucional urgem por serem combatidos.

É evidente na afirmação: “eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”, que Conceição Evaristo denuncia o racismo e uma de suas consequências. De fato, a falta de políticas sociais para a integração do negro na sociedade, desde o pós abolição, apresenta reflexos importantes. Porque, historicamente, o racismo afeta a vida da população negra em todos os aspectos e pode, inclusive, causar sua morte. Como mostram os dados apresentados no Atlas da Violência lançado, em 2017, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. A violência é, portanto, uma herança herdada desde a migração forçada dos ancestrais africanos a partir do século XVI.

Ademais, o racismo institucional corresponde àquele que se manifesta nas estruturas de organização da sociedade bem como nas instituições. Ele se mostra presente na realidade brasileira quando o Governo não investe na melhoria da educação pública em que, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,4% da população usuária é negra, paralelamente, apenas 16,8% dos jovens negros chegam ao nível superior. Outrossim, esse grupo também é maioria no índice de evasão escolar, fato que pode relacionar-se ao genocídio da juventude, naturalizado na sociedade, e à pobreza que obriga essa população a se submeter ao subemprego em idade escolar. Nesse sentido, a própria estrutura social fortalece e perpetua o racismo.

Assim como na Lei da Inércia, se não houverem forças atuantes contra o racismo, ele se manterá constante na sociedade. Portanto, o Governo deve, por meio do Ministério da Educação, melhorar a qualidade da educação pública ofertada a partir da formação de professores e da reformulação de materiais didáticos. A fim de garantir a qualidade do ensino e a representatividade positiva da população negra pela inclusão de temas que mostrem positivamente a cultura ancestral dessa população.  Por fim, a construção de uma mudança gradual mitigará as possibilidades de que perpetue na sociedade heranças associadas ao racismo.