ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 05/11/2019

Augusto Comte, criador da filosofia positivista, em sua teoria do organicismo, trata a sociedade como um organismo, no qual cada parte da população interdepende da outra para que o todo funcione bem. Contudo, esse “corpo” não tem funcionado da melhor forma, uma vez que a população negra ainda sofre com o racismo tanto por conta da negligência estatal frente ao cumprimento das leis, quanto pelo pensamento escravocrata enraizado na mente dos brasileiros, mesmo que inconscientemente. Diante disso, o povo brasileiro deve se esforçar na direção de encontrar caminhos a fim de combater o racismo no Brasil.

Cabe pontuar, de início, que o       Estado não tem cumprido a lei que protege o negro do racismo e da injúria racial – Lei Nº 7.716. Nesse sentido, o Poder Executivo não tem sido assertivo no cumprimento dessa lei, uma vez que atos racistas passam despercebidos ou não são devidamente punidos. Por conta disso, a credibilidade governamental cai e a população perde a confiança no que tange ao cumprimento da lei. Isso é visto em uma pesquisa feita pela plataforma digital do G1, na qual expõe que a cada ano, aproximadamente 10 casos são devidamente julgados e punidos, mostrando o descaso do       Poder Público perante tais crimes.

De outra parte, o pensamento brasileiro deturpado pela época da escravidão impossibilita que o negro seja plenamente inserido no meio social. Dessa forma, mesmo após a abolição da escravatura em 1888, ainda hoje, por conta dessa ideia retrógrada, é notório que há vestígios dos tratamentos praticados aos afrodescendentes naquela época. Tal entrave, construída nos mais de 300 anos de escravidão, impede que o negro usufrua do direito garantido a ele no artigo 1º da DUDH, Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz que todo ser humano é igual perante a lei e tem direito à vida digna. Logo, percebe-se que há a necessidade de ações enérgicas para a mudança conceitual na mentalidade da sociedade do Brasil.

Urge, portanto, que o Ministério da Justiça, com aporte financeiro da União, crie uma força policial dedicada exclusivamente ao cumprimento mais veemente e mais assertiva da lei, com o fito de proporcionar à população afrodescendente um convívio social saudável e, além disso, tornar a igualdade racial um fato notório na sociedade brasileira. Ademais, influenciadores digitais, com propósitos educacionais bem definidos e com apoio total do Ministério da Educação, devem abordar, através de vídeos e mensagens, o racismo e repudiar os pensamentos negativos e retrógrados acerca do negro, a fim de que o povo aja e pense de acordo com a lei, a ética e com a moral, encarando o negro como igual e proporcionando ao organismo vivo, que é a sociedade, seu pleno funcionamento.