ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 31/01/2020

Durante o Brasil Colonial, a mão de obra escrava foi de suma importância para a exploração das riquezas. Portugal – pretendendo dar sustentação ao seu modelo de colonização exploratória – buscou na exploração da força de trabalho dos negros uma rentável alternativa. Na contemporaneidade, tal barbárie não ocorre mais, porém, mesmo com a abolição da escravatura em 1888, não houve qualquer tentativa do estado de inserir os ex-escravos com equidade no mercado de trabalho e garantir bem estar social, o que contribuiu para que a aproximação das realidades de brancos e negros continuar sendo um enorme desafio.

Em primeiro lugar, é notório que a relação de exclusão com base na cor da pele está presente nos ambientes de trabalho, nas universidades e nos hábitos cotidianos. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2011 indica que 63,7% dos brasileiros consideram que a raça interfere na qualidade de vida dos cidadãos, o que evidencia que os indivíduos vivem um apartheid social, termo este que é utilizado para descrever formas de desigualdade econômica e social no Brasil. Além disso, existe a ineficiência do Estado em monitorar e incentivar as políticas públicas que já existem, como as cotas, o que leva a desinformação por parte da sociedade a um direito assegurado por lei.

Em segundo lugar, por falta de inserção social na época colonial, os negros não tiveram outra alternativa a não ser a submissão a empregos que se igualavam ao escravo, o que levou as taxas de violência, analfabetismo e mortalidade serem as mais elevadas, refletindo o fracasso da sociedade. A opressão histórica está evidenciada em muitos âmbitos da sociedade, na música “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”, do grupo O Rappa, faz-se referência a taxa elevada de criminalização e marginalização dos negros, principalmente em áreas periféricas, advindas da época colonial.

Tendo em vista tudo o que foi mencionado, tem-se a inevitabilidade de que a mídia deve conscientizar as pessoas sobre a igualdade entre as raças, do mesmo modo alertar sobre seus direitos positivados, como as cotas, a fim de promover a integração das minorias à sociedade. Faz-se necessário também que o ministério do trabalho em parceria com o ministério da educação incentive a criação de vagas em cursos profissionalizantes voltados aos jovens negros, para que os índices de criminalização sejam minimizados. Ademais, o poder executivo junto ao poder legislativo devem criar e fiscalizar leis mais severas quanto a violência policial e também quanto aos crimes de preconceito racial, para que tais opressões por parte da polícia e da sociedade sejam reduzidas, assim será possível atenuar de forma mais efetiva o abismo racial que ainda assola o país.