ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 15/03/2020
Em 2019, a minissérie “olhos que condenam” trouxe à tona o caso “cinco do Central Park”, cinco crianças negras condenadas injustamente por claro racismo institucional. Entretanto, é fato que o problema não é restrito aos EUA, visto, por exemplo, o paradoxo brasileiro Thor Batista e Rafael Braga: o primeiro, branco e filho de milionário, foi absolvido de atropelar um ciclista, enquanto o segundo, pobre e negro, preso por portar uma garrafa de desinfetante nas manifestações de junho de 2013. Logo, fica claro, que para combater a mentalidade racista no país é necessário reparar as injustiças históricas e reavaliar a seletividade penal e policial enfrentadas pela população negra brasileira.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o racismo não é um problema atual, ele perdura, no Brasil, desde o período colonial. Naquela época, os negros eram trazidos, forçadamente, pelos colonizadores, para a realização do trabalho manual, por exemplo, o plantio da cana-de-açúcar. Dessa maneira, as condições de vida dessa população eram péssimas, e isso, continuou mesmo após a Lei Áurea, em 1888. Tal realidade, é retratada no livro “O Cortiço”, de Aluizio de Azevedo, que se passa nesse período, década de 1870/1880. Nele, é notório as condições insalubres de moradia e a carga de trabalho excessiva enfrentada pelos trabalhadores pobres, maioria negros, no período da abolição da escravatura. E essas condições, ainda são muito presente na realidade de diversos brasileiros.
Em segundo lugar, é importante reconhecer a existência de uma seletividade policial e penal no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, dos 5.896 boletins de ocorrência de mortes devido a intervenções policiais, entre 2015 e 2016, 76,1% das vítimas eram negros. Esse número desproporcional, demonstra a alta exposição dos negros à violência e, também, a persistência do racismo institucional presente no Brasil. Tal exposição, dá-se devido a forte presença de esteriótipos relacionados a imagem do negro, pois, muitas vezes, esse povo é visto como bandido pela sociedade. E isso é refletido nas atitudes dos policiais e responsáveis pela segurança pública.
Com intuito de amenizar esse problema, é necessário que o estado tome providências. A fim de integrar a população à resolução do quadro atual, urge que o Ministério da Cidadania (MC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que informem a população sobre o racismo institucional, com informações históricas sobre o surgimento e o reflexo dele na sociedade. Também, é importante conter nessas campanhas as consequências da prática do racismo e o número e local para denúncias dos crimes cometidos. Somente assim, será possível combater o racismo no Brasil e, ademais, impedir que a realidade do caso “cinco do Central Park” continue se repetindo na vida de muitos brasileiros.