ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 19/04/2020

O Black Money como formador da cidadania

No filme “Histórias Cruzadas”, do diretor Tate Taylor, é retratada a vida de mulheres negras, em Mississipi, na década de 1960. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória das empregadas domésticas Aibillen e Minny, que envoltas em uma comunidade marcada pela discriminação social, sofrem diversos tipos de abusos nessa relação injusta de poder. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Taylor pode ser relacionada ao mundo moderno: ainda hoje, o racismo, consolidado na sociedade, reflete a importância do movimento negro e do Black Money na luta pela equidade rácica.

Em primeiro plano, é mister compreender quais as conquistas que já foram alcançadas por essa corrente antissegregacionista e qual é o seu papel no corpo social brasileiro contemporâneo. Diante dessa perspectiva, tem-se a figura de Zumbi dos Palmares que, no século XVII, já lutava contra a escravidão e a objetivação do afrodescendente. Com a assinatura da Lei Áurea em 1888, os protestos em prol da igualdade racial ganharam força, tendo seu auge com a Constituição Federal de 1988, que afirmou o racismo como um crime inafiançável. No entanto, esse tipo de discriminação se mantém na sociedade, evidenciada pelo fato de que a população negra continua sendo a mais pobre e com menor grau de escolaridade, o que torna a sua inserção no capitalismo moderno um desafio atual.

Sendo assim, o Black Money, associação voltada à criação de iniciativas afrodescendentes, transforma-se em um movimento fundamental para a incorporação do negro no mercado consumidor. Nesse contexto, há a fala do sociólogo Zygmunt Bauman acerca da “Modernidade Líquida”, a qual revela que a vida atual é pautada no consumo, expondo, dessa forma, o poder de compra como um fator essencial à formação cidadã. Portanto, ao impulsionar um mercado destinado a essa etnia segregada, o Black Money contribui na luta contra o racismo já que combate a aculturação decorrente do predomínio branco nas relações comerciais e contribui para a integração social do indivíduo negro.

Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas. Primeiramente, o Ministério da Cidadania deve realizar palestras educacionais a respeito da necessidade de inserção do afrodescendente na sociedade brasileira, a fim de despertar o sendo crítico da população acerca do tema. Isso seria possível por meio da parceira com o Ministério da Educação e reforçaria as ideias de empoderamento e equidade defendidas por projetos como o “Solta esse black”. Ademais, o Ministério da Economia, a partir de parcerias com empresas de consultoria, como o SEBRAE, precisa promover cursos de capacitação para empreendedores negros, como já é feito por intermédio da Feira Preta. Desse modo, garantir-se-ia uma vida mais justa e distante daquela de “Histórias Cruzadas”.