ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 27/04/2020
Da escravidão ao caso Evaldo Rosa: o Brasil e sua história racista
Em 2019, Evaldo Rosa do Santos, homem negro e de classe baixa, foi morto por oitenta tiros disferido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro enquanto se dirigia a uma festa. Segundo os policiais envolvidos, houve um equívoco na identificação do cidadão, que fora confundido com um possível criminoso. Esse episódio demonstra como o racismo continua a ceifar vidas e a calar as vozes de pessoas negras que enfrentam, diariamente, ataques e injustiças num país em que a escravidão e o movimento eugenista, no início do século XX, tiveram grande influência no comportamento social dos brasileiros.
Crimes como esse são comuns no Brasil, que investiu em uma economia escravocrata por mais de três séculos. A abolição da escravatura, em 1889, não pôs fim a esse comportamento, uma vez que não houve reintegração dessa população carente à sociedade. Observa-se, atualmente, os reflexos da falta desse reparo histórico. Segundo a Rede Brasil Atual, negros apresentam um índice de evasão escolar maior - 44,2% de homens e 33% das mulheres -, pois precisam trabalhar e ajudar no sustento familiar, e são as vítimas mais frequentes de assassinatos - cerca de 75% dos casos, de acordo com o jornal Estadão.
Além disso, o movimento eugenista, que intencionava embranquecer a população brasileira, e que teve como representantes figuras de expressão, como o médico Raimundo Nina Rodrigues e o escritor Monteiro Lobato, tem influência direta em relações pessoais. Ainda hoje, pode-se perceber uma busca pela miscigenação entre brancos e negros com o intuito de que as novas gerações sejam mais brancas do que as anteriores e apresentem traços mais geralmente ligados a um esteriótipo europeu, tido como ideal, como boca e nariz finos e cabelos lisos.
Portanto, nota-se que o racismo está enraizado em nossa sociedade, pois a escravidão e o eugenismo influenciaram o pensamento e o comportamento da população por séculos. Assim, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Sugere-se que o Ministério da Educação aumente as cotas e as bolsas destinadas aos negros, não só na graduação, mas também na pós e incluam escolas particulares, oferecendo oportunidades para que tenham uma educação formal e mude seu futuro. Além disso, ONGs e outras organizações que lutam pela igualdade racial devem receber mais verbas públicas para investirem em projetos que reintegrem aqueles que tiveram seus direitos básicos - comer, vestir e trabalhar - violados, para que haja uma restauração dos direitos básicos desse grupo.