ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 26/05/2020
Entre os séculos XVI e XIX, chegaram no Brasil cerca de cinco milhões de africanos, traficados pelos portugueses, e apesar da abolição da escravatura em 1888, ter garantido a liberdade judicial deles, no quesito social estes indivíduos foram marginalizados. Hodiernamente, no Brasil, observa-se um reflexo histórico do racismo e, mediante a isso, é necessário encontrar formas para se combater o preconceito racial no país. Nessa perspectiva, compreende-se dois distintos panoramas referentes ao tema acima, em primeiro, as pessoas negras são as maiores vítimas de homicídios no Brasil e, em segundo, a fiscalização das leis que envolvem o racismo, é precária.
Inicialmente, é relevante abordar que, segundo o IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2017 mais de 70% das mortes, ocorridas no país, foram de afrodescendentes. Isso traz à tona uma reflexão sobre esses números e a sua associação com o preconceito racial, pois, deveria ser diferente, uma vez que aproximadamente metade da população, de acordo com o IBGE, é branca. Sob essa ótica, a produção cinematográfica “Django Livre”, mostra as atrocidades que eram acometidas contra os negros, em tempos de Guerras Civis na América do Norte. Tais tragédias perpassam pela ficção e pela história e se tornam reais nas manchetes vistas diariamente nos noticiários regionais e nacionais.
Outrossim, a lei 7.716 , do ano de 1989, constitui como crime o preconceito de raça ou de cor. Todavia, nota-se, nos meios midiáticos o não cumprimento destas diretrizes, Gilberto Dimenstein, escritor do livro “Cidadão de Papel”, já previa essa realidade em sua obra. O autor defende que as leis são garantidas apenas no papel e que na vida real estes direitos não são cumpridos efetivamente. Desse modo, constata-se o que foi dito acima, em que mesmo após a instauração da Lei Áurea em 1888, a liberdade dos indivíduos estava garantida apenas na teoria, porque na prática a situação é bem diferente.
Evidencia-se, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com ONGs, devam mostrar à população de forma mais efetiva, os dados referentes às mortes e ao racismo no Brasil. Isso pode ser feito, através, de campanhas e curta metragens, utilizando histórias reais e atores das próprias comunidades brasileiras, para que os cidadãos do país, possam ver de perto a trágica realidade e assim, se conscientizar de forma mais clara contra o preconceito racial. Além disso, o Poder Judiciário, deve aumentar e qualificar a fiscalização das leis contra as agressões verbais e físicas aos negros. Através de contratações de afrodescendentes para cargos de liderança neste Poder, tornando possível, um melhor cumprimento da lei e com isso garantir os direitos básicos de uma vida digna, independente de sua cor ou raça. Dessa maneira, teremos cidadãos de verdade e não de papel.