ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/06/2020

O livro Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar  as mazelas sociais que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que o racismo afeta a sociedade como um todo e o direito garantido pela Constituição, de se viver dignamente. Nesse sentido, faz-se necessário entender que isso é fruto das desigualdades socioeconômicas e da falta de políticas públicas. Portanto, discutir acerca das raízes e das práticas culturais que contribuem para a permanência dessa problemática é medida que se impõe.

A princípio, é importante ressaltar que desde a abolição da escravidão no Brasil, em 1888, a população negra vive uma série de desigualdades, sejam elas sociais, religiosas ou econômicas. Características como crenças, religiões e aparência física, ainda são alvos de comentários pejorativos e preconceituosos. De acordo com dados do Datafolha, 22% dos brasileiros afirmaram já terem sofrido algum tipo de preconceito por causa da cor de pele ou raça. Isso faz com esse problema atinja dimensões cada vez maiores.

Paralelo a isso, segundo o artigo 5º da Constituição de 1988, todo cidadão brasileiro é igual perante a lei e tem direito à vida, liberdade e igualdade. Por outro lado, isso não é realidade para a maioria da população negra no Brasil. Apesar de representarem 54% da população, apenas 18,3% dos jovens negros têm acesso ao ensino superior. Isso ressalta a ineficácia do Estado em atender a esse grupo social.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Estado garantir políticas públicas de integração dessa parcela da população na sociedade, por meio de projetos sociais como a ampliação do regime de cotas raciais que possibilitem aos negros o acesso às universidades. Além disso, cabe ao MEC promover palestras e campanhas de reconhecimento da diversidade e igualdade racial em escolas e na mídia. Somente assim, o país tornar-se-á mais plural e justo.