ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 25/06/2020

O poeta romano Ovídeo Naso, em sua obra Metamorfosis, retrata a princesa mitológica Andrômeda de forma negra, a qual é salva por Perseu de seu carrasco destino. No século XVII, porém, manifestou-se um debate sobre a representatividade de tal figura, já que a mesma possuía uma descendência etíope inserida em um meio onde os termos “beleza” e “negritude” se opunham, idealizando a implantação do segregacionismo. De maneira análoga, questões raciais permanecem vivas, e estão ligadas principalmente, a aspectos psicossociais e histórico-culturais, os quais contribuem de forma deliberativa ao enraizamento do preconceito racial. Influências de uma sociedade fragmentada, onde a marginalização e o individualismo são superiores aos valores éticos.

Para o filósofo Noberto Bobbio, o preconceito parte da criação de estereótipos superficiais impostos por determinado grupo, os quais ao se generalizar, formam o chamado preconceito coletivo. Ao observar o período escravista, notamos que, os negros transcorreram séculos existindo como meras mercadorias, visto que a atividade escrava era rentável. Hodiernamente, mesmo após séculos da Lei Áurea, sancionada pela princesa Isabel em 1888, os marcos de tal período refletem diretamente ao comportamento do homem perante a sociedade, o qual marginaliza de forma “normal”, involuntária e precisa os indivíduos de raça crioula, desvalorizando sua cultura e descendência.

Nesse viés, a concepção da diferença é de difícil aceitação para o racista em geral. A discrepância social e a multiplicidade corrompem os ideais daqueles que consideram a “pureza racial” como uma virtude, e a miscigenação uma degeneração, características marcantes do século XX no Brasil devido ao intenso fluxo de imigrantes europeus. O temor da mudança e a ausência de um espírito crítico no nacionalismo brasileiro, resultam no conservadorismo, e em autoafirmações intolerantes. Paralelo as ideias de Jean Paul Sartre, o problema do racismo vai além de uma intriga racial, uma vez que não é o negro que provoca o racismo, mas sim o racista, o qual cria um tipo estereotipado. Uma espécie de neurose social, partida de uma concepção pré-lógica do mundo.

Fica evidente, portanto, que elementos histórico-culturais e psicossociológicos integram a base de tal fanatismo, uma vez que, não cabe aos negros organizar uma liga militante, mas a nós. Desse modo, é necessário medidas para intervir nessa problemática. Cabe ao Ministério da Educação, a criação de materiais didáticos específicos direcionados aos profissionais de ensino, bem como a valorização e a inserção da cultura negra por meio de atividades e recursos midiáticos nas escolas e na sociedade, a médio e longo prazo, os quais são indispensáveis para reestruturação e inserção social negra, visando o equilíbrio, e a garantia de seus direitos, ao  impor-lhes uma nova posição social favorável.