ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 24/06/2020
Monteiro Lobato, escritor pré-modernista, afirma em seu fragmento textual “Colonialismo” que a mentalidade do povo brasileiro é colonial. Apesar da frase estar conceituada na realidade presenciada pelo autor no século XIX, percebe-se que a afirmação ainda possui aplicação no contexto atual, uma vez que o preconceito, principalmente para com indivíduos de descendência negra, apresenta-se como um entrave. Esse aproxima a sociedade brasileira da mentalidade do Brasil colônia e faz necessárias ações capazes de minimizá-lo. Sob esse viés, é possível destacar como fatores que sustentam a problemática abordada as questões histórico-culturais e a falta de representatividade.
É importante destacar, a priori, a herança histórica - não só brasileira, mas mundial - como um fator agravante do problema em discussão. A escravidão, prática transformada em ato comercial pelos europeus no século XV, é uma das razões para que o racismo esteja tão enraizado na sociedade contemporânea. Povos negros africanos e indígenas passaram a ser escravizados e comercializados com a premissa de serem inferiores - isso porque constituíam sociedades menos complexas ou não possuíam as mesmas tecnologias, crenças e coloração da pele dos povos que habitavam a Europa. Essa visão segregacionista levou ao subjugamento dessas populações que, mesmo após a abolição da escravatura - ocorrida em 1888 no Brasil - não conseguiram, em sua totalidade, adaptar-se e encontrar espaço para participação efetiva na sociedade e na economia.
Por conseguinte, pode-se destacar, também, o impacto da escassez de representação midiático-cultural - estritamente ligada ao contexto histórico - na persistência da adversidade citada. Nesse âmbito, salienta-se o papel dos meios de comunicação. As mídias em geral e os conteúdos de entretenimento são marcados pela presença exacerbada de um grupo que por muito tempo foi considerado o ideal, enquanto negros e indígenas são estereotipados e retratados em papeis secundários ligados a tribos primitivas, marginalização, atividades braçais e serviçais, criminalidade e mortes. Analogamente, casos como o de George Floyd, negro morto asfixiado por policiais nos Estados Unidos, também mostram-se frequentes e aproximam cada vez mais a realidade da afirmação apresentada por Albert Einstein em que “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que o problema discorrido seja coibido. Para tanto, cabe aos canais midiáticos promover a divulgação de programas protagonizados pelas mais diversas etnias. A ideia é que as programações (filmes, séries, curtas, entre outros) representem de forma igualitária as diferentes raças a fim de reduzir a aversão e o prejulgamento, já enraizados, e aumentar a empatia. Dessa maneira, notar-se-á uma melhora na convivência em sociedade.