ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 04/07/2020

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir a escravidão, no ano de 1888. Entretanto, cerca de 2 milhões de pessoas negras foram introduzidas na sociedade brasileira sem qualquer suporte. Essa herança histórica, advinda de anos de escravidão, acarretou uma imensa disparidade social entre brancos e negros. Desde então, muito se tem discutido a respeito do enorme desafio que é encontrar meios para erradicar essa disparidade gerada pelo racismo estrutural.

O primeiro aspecto que deve ser posto em pauta para a constituição de uma sociedade mais igualitária, é que a violência contra os afrodescendentes está escancarada na sociedade brasileira, visto que, de acordo com um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, analisando casos registrados entre 2005 e 2015, 71% das vítimas de homicídios no Brasil são negras. Deste modo, é paradoxal que o país considerado gigante miscigenado onde 54% da população se declara negra, seja o país que mais mata negros.

O segundo aspecto a ser analisado é que, devido à longa relação do país com a escravidão, é perceptível que ainda se constitui no DNA do mercado de trabalho uma visão de inferiorização sobre a população negra. Por exemplo, no meio televisivo, os personagens negros estão, na maioria das vezes, ocupando papéis em novelas de bandidos, favelados, domésticas, dentre outros. Esse fato evidencia a disparidade de oportunidades entre brancos e negros, não apenas no cunho artístico, mas também na educação, na segurança e na saúde.

Ainda é válido ressaltar que, apesar das quotas raciais, que são as reservas de vagas em instituições públicas ou privadas para grupos específicos classificados por etnias, o número de pessoas brancas com ensino superior completo em 2017 era de 22,9%, já o número de pessoas negras com o ensino superior completo era de 9,3%. Além disso, o número médio de anos de estudos de pessoas brancas era de 10 anos, já o de pessoas negras, 8 anos. Tais dados demonstram claramente que, as ações tomadas pelo governo brasileiro para combater a desigualdade social entre brancos e negros até então, não tiveram tanta eficácia quanto deveriam.

Dado o exposto, para combater o racismo presente na cultura, o Ministério da Educação deve inserir no currículo escolar a discussão e o estudo crítico sobre a população africana, enfatizando sua influência e contribuição na sociedade brasileira atual, priorizando o ensino básico, por ser nessa fase que os indivíduos constroem suas bases intelectuais que o moldarão futuramente. Deste modo, a partir das ações citadas, pode-se combater a questão do racismo no Brasil.