ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 04/07/2020

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento de um bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, o racismo configura-se como um obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que esse tipo de desrespeito com a miscigenação faz com que a convivência comunitária seja precarizada. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da nação, bem como a omissão governamental estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.

É inevitável, em primeiro aspecto, observar que o pensamento preconceituoso, no que se refere às diferentes colorações da pele, permanece enraizado na sociedade contemporânea, uma vez que desde o Brasil Colônia, as pessoas negras, por exemplo, são grandes vítimas de injúrias raciais. Questões desse tipo conduzem à exclusão social. Sob essa ótica, cabe resgatar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável” do psiquiatra Augusto Cury, o qual diz que toda ação individual em uma sociedade gera um impacto coletivo, ou seja, o preconceito afeta não só quem sofre com o racismo, mas toda a sociedade, pois cria um desconforto comunitário devido às injustiças cometidas com as pessoas. À luz dessa ideia, precisa-se mitigar essa mazela em função desse incômodo.

Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de diminuir o preconceito proeminente na população. Situações desse tipo levam os cidadãos a banalizarem manifestações sociais, pois não acreditam na ocorrência de atrocidades relacionadas ao racismo em pleno século XXI, como aquela que aconteceu com George Floyd, um negro americano morto por policiais em 2020, julgado por sua cor. Assim sendo, a negligência governamental deve ser contestada para que os citadinos possam ter consciência dos problemas sociais e se engajem no combate ao racismo.

Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONG’s, mediante redes sociais - detentoras de grande abrangência nacional -, elaborarem ficções engajadas, as quais mostrem a importância de se combater o preconceito racial, a fim de promover uma deliberação comunitária. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal -, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social, propor regências constitucionais mais rígidas para punir os atos racistas e que cumpram com essas leis, com o fito de, ao menos, atenuar as injúrias raciais. Desse modo, o país conseguirá remover a “pedra” citada por Drummond e alcançar o bem comum.