ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 12/07/2020
“Negro entoou um canto de revolta pelos ares, no quilombo dos Palmares onde se refugiou, fora a luta dos inconfidentes pela quebra das correntes, nada adiantou”. O trecho da música “Canto das três raças” de Clara Nunes aborda as dificuldades enfrentadas pelo povo preto durante o período de colonização no Brasil. Decorridos mais de 200 anos é lamentável a permanência desses problemas atualmente. Sendo assim, é perceptível que essas adversidades são ocasionadas devido ao racismo estrutural e a predominância da população preta em estatísticas de mortalidade, desse modo é evidente que medidas sejam tomadas para resolver esse problema.
Diante dessa problemática, é válido ressaltar que o preconceito racial é uma dificuldade longeva que através de práticas, costumes e expressões ocasiona a segregação. Prova disso são os termos pejorativos ainda muito usados nos dias de hoje, como: “a coisa tá preta”, “lista negra”, “morena”, “mulata”, “cabelo ruim/ cabelo duro”, “criado mudo”. É revoltante que o uso desses termos ainda seja comum no cotidiano, a ausência de ensino sobre a história do povo negro e a desconstrução do racismo é um dos fatos que colabora com a permanência desse preconceito no Brasil, que consequentemente acarreta na exclusão da população negra.
Além disso, é visível a permanência dos cidadãos negros no ápice nos quesitos de mortalidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) “A população negra tem 2,7 mais chances de ser vítima de assassinato do que os brancos”, a partir disso é manifesto a desigualdade em que se encontra a população negra, a sociedade é tão racista e está tão acostumada com mortes pretas que não se comove, pretos são assassinados todos os dias e ninguém se importa, diferentemente se fosse um branco que tivesse morrido. É notório que isso prejudica o desenvolvimento da sociedade e dessa forma exige mudanças.
Levando em conta os fatos apresentados, é evidente que a sociedade precisa urgentemente de transformações. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC) - órgão responsável pelos assuntos relacionados a educação e cultura, investir em profissionais capacitados e materiais adequados para trabalhar a questão racial em sala de aula; ao Secom- aplicar capital em propagandas de representatividade negra; ao poder Legislativo- criar políticas sociais que dão suporte a população negra e ao poder Executivo- averiguar o funcionamento dessas políticas. Com o propósito de incluir os cidadãos negros na comunidade e acabar com o preconceito e a desigualdade existente, além da responsabilidade individual, as pessoas precisam ser empáticas e abraçar a causa do outro, como diria Angela Davis “Não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”.