ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 08/07/2020
No ano de 2020, uma onda de protestos ocorreu nos EUA, após a morte do segurança negro George Floyd por um policial branco, e posteriormente diversos outros países, inclusive o Brasil, aderiram a manifestações em redes sociais e também nas ruas, em nome da vida do segurança e de toda a população negra que ainda sofre pelo preconceito racial. Entretanto, apesar de manifestações terem um papel de influência muito forte no combate ao racismo, é importante ressaltar que, no Brasil, esse preconceito só será efetivamente eliminado fazendo-se uso principalmente da educação.
Nesse cenário, as manifestações que ocorrem no Brasil, apesar de importantes para mostrar o descontentamento e a força da população, configuram-se como ações superficiais. Isso ocorre, pois não mudam a mente do racista, não fazem com que ele perceba seus erros e tenha vontade de corrigi-los, haja vista que, embora houve inúmeros protestos contra preconceito com negros, o “Estadão” anunciou que 75% das vítimas de homicídio no país foram de pele escura em 2019 . Assim, verifica-se o papel fundamental da educação no combate ao racismo, visto que é ela quem possibilita a mudança de comportamento, ao demonstrar, com argumentos sólidos, a irracionalidade da discriminação, o quão errada é a sua prática e o quão devastadores são seus efeitos, cessando sua execução. Sendo assim, a máxima do filósofo Kant faz-se verídica: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Outrossim, a ausência de uma matéria específica a respeito da história dos negros e que aborde todas as formas em que o preconceito racial se manifesta na Base Nacional Comum Curricular impede a construção de um pensamento de não descriminarão. Nessa abordagem, tal inexistência não possibilita uma educação que preze pela aceitação, visto que a escola é o principal instrumento de formar opiniões e é nela em que o estudante tem a possibilidade de debater e compreender -de modo racional- questões que, muitas vezes, não fazem parte de sua realidade. Isso acontece, por exemplo, com a personagem Elena Richardson, da série “Pequenos Incêndios por Toda Parte”. Ela, por ser branca, não conviver com pessoas diferentes de sua realidade e por não ter uma educação que lhe avisasse sobre o racismo, ao conhecer uma mulher negra, faz diversos comentários preconceituosos e chega a afirmar que o racismo não existe. Portanto, verifica-se que o racismo é um impasse muito grande na sociedade brasileira e que a principal ferramenta para erradica-lo é a educação. Nesse sentido, deve o Estado, por meio do Ministério da Educação, alterar a Base Nacional Comum Curricular e incluir nela uma matéria específica sobre os negros e o preconceito ainda existente sobre eles. A medida, assim, terá como finalidade erradicar a descriminação de negros em território canarinho. Nesse contexto, as aulas ministradas deverão realizar uma abordagem histórica desde a escravidão, elucidar sobre como os negros ficaram à margem da sociedade e como ainda são tratados de maneira desigual. Somente desse modo, casos como o de George Floyd e o racismo no Brasil serão cessados.