ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 08/07/2020
Dadivado com o Prêmio “Pulitzer” em 1983, o livro “A cor púrpura” retrata uma rotina -por 40 anos- de uma mulher chamada Celie que é forçada a ter relações sexuais com seu pai e posteriormente com “Sinhô” – homem no qual ela foi obrigada a casar. O enredo exibe uma realidade que aborda o desprezo e racismo por pessoas pretas, isso é visto em partes em que a própria protagonista acredita que merece ter sofrido todos os abusos já que não é considerada com pele clara e cabelo liso. Posteriormente a esta situação apresentada, fica evidente o tanto que a época da escravatura influência na sociedade e a tamanha imposição que ocorre por parte da população.
A escravidão, mesmo abolida em 1888, ainda intervém negativamente em relação aos dias atuais; segundo consta a página da internet do IBGE, a taxa de rendimento médio de todos os trabalhos, em 2016, para brancos gira em torno de R$ 2814,00, enquanto para pretos é de R$ 1570,00. O professor Otair Fernandes alude: “A questão da escravidão é uma marca histórica. Durante esse período, os negros não tinham nem a condição de humanidade. E, pós-abolição, não houve nenhum projeto de inserção do negro na sociedade brasileira. Mesmo depois de libertos, os negros ficaram à própria sorte. […]”. O trecho citado ressalta ainda mais a influência que a época da escravatura tem no rendimento e participação do preto na sociedade.
A imposição que é feita pelas pessoas pode ser vista no livro citado: à medida que são percorridas as páginas, é explícito que existe um “ideal de beleza europeu”, no qual as pessoas brancas possuem e alguns pretos idealizam ter. Essa idealização que foi criada a mais de 130 anos ainda reverbera nos dias atuais, em situações do cotidiano em que afro descendentes sofrem preconceito, discriminação e desprezo por não ter a pele clara ou cabelo liso, ou seja, “o ideal”. Antigamente havia ainda, as “profissões de brancos”, os quais os afro descendentes não poderiam participar apenas por ter a cor da pele morena.
É, portanto, dever da própria população de tomar consciência -através de informações via rede de comunicações- de que o racismo é um problema que é imposto por inúmeras pessoas que são preconceituosas e que deve ser mudado, já que não se deve basear em estereótipos impostos pela sociedade e muito menos por taxas implantadas sobre o que é bonito e o que é feio. Deve haver uma influência desde a infância abordando esse tema que precisa ser falado, mas poucas vezes ocorre essa prática; trazer palestras, histórias inspiradoras, debates e conversas profundas sobre tal assunto é extremamente necessário para saber mais sobre o tema e conseguir atingir –no mínimo- uma sociedade mais justa.