ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 10/07/2020
“Na primeira vez em que estive aqui, em 1987, fiquei chocado ao ver que na TV, em revistas, não havia negros. Melhorou um pouco. Mas há muito a fazer. Quem nunca veio ao Brasil e vê a TV brasileira via satélite vai pensar que todos os brasileiros são louros de olhos azuis”, disse o cineasta americano Spike Lee, em entrevista coletiva realizada em abril de 2012. O racismo faz parte da estrutura da sociedade brasileira, que tem como sua origem a escravidão.
Há 132 era assinada a Lei áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, porém, a liberdade não passou de uma mera esperança, pois os negros foram abandonados ao preconceito e a própria sorte. A liberdade veio sozinha, não houve nenhuma ação de integração/inclusão dos negros na sociedade. Dessa forma, os negros foram marginalizados e excluídos da sociedade, de modo que hoje, o racismo está enraizado na sociedade.
É sabido que houve muito evolução nas políticas de inclusão e combate ao racismo, como é o exemplo da Lei 7.716, que criminaliza o racismo e a criação da Lei nº 12.711/2012 que prevê o acesso às universidades públicas federais. Porém, a mera criação de leis não resolve o problema. A população negra é maioria no Brasil e mesmo assim possui menos acesso aos estudos e representa uma menor quantidade nas salas de aulas em comparação aos brancos. O maior exemplo disso é o encarceramento em massa, que trás a ideia de uma falsa a abolição, visto que segundo os dados levantados em 2016 pelo DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional) os negros correspondem a 65% dos presos no Brasil, resultado direto da marginalização, falta de acesso aos estudos e preconceitos que enfrentam diariamente.
O racismo não será combatido apenas com a criação de leis simbólicas e a luta isolada dos negros. O racismo, por ser estrutural, existe de diversas formas, seja nos padrões estéticos, nos locais de trabalho e educação, entre diversos outros aspectos da sociedade. Assim, a melhor estratégia segue sendo a educação e a representatividade, aumentando o número de negros em salas de aula, em programas televisivos e discutindo pautas raciais nas escolas e nas mídias.