ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 13/07/2020
A minissérie “Olhos Que Condenam” produzida pela Netflix, baseada em uma história real, retrata “os cinco do Central Park”, a qual cinco garotos negros e latinos, entre 14 e 16 anos, foram acusados e presos injustamente por um crime que não cometeram. Nota-se principalmente o racismo que baseou e condenou tais meninos, presente em grande parte do relato na série, assim como ainda prejudica várias pessoas atualmente, que sofrem diariamente apenas por sua cor de pele. Essas situações ocorrem muitas vezes pela banalização do racismo e depreciação da cultura preta.
Primeiramente, evidencia-se o racismo enraizado e trivializado pela sociedade, o qual está tão fortemente entrelaçado ao âmbito social brasileiro que se tornou habitual. Desde o processo de escravidão o preconceito foi normalizado, e mesmo com a abolição, a vida preta continuou muito difícil, uma vez que foram marginalizados. À prova disso, é comum o uso de termos originalmente racistas, o qual a população muitas vezes não tem conhecimento por exemplo: “mulata”, muito usado para se referir a negros mestiços, vem da palavra “mula”, animal híbrido do cavalo e jumento; “meia-tigela”, utilizado para algo insuficiente ou mal feito, veio da época escravista, a qual o escravo só recebia meia tigela de alimento quando fazia um trabalho medíocre. Há ainda mais termos pejorativos de origem racista, que quanto mais usados, mais contribuem como agravamento da problemática.
Em segunda análise, há o recorrente rebaixamento da aparência preta na sociedade, que em consequência adotam-se características brancas para a possibilidade de aceitação social. Com o desprezo à própria pessoa negra, ocorreu também a aversão aos traços e modos dos negros, como o cabelo cacheado, o formato do nariz; nisso, tais características foram tão repudiados pelos brancos que causaram muitas vezes vergonha para o negro socialmente, fazendo-o alisar o cabelo,fazer cirurgias para se sentir melhor e mais bonito. Esta situação acontece no filme “Felicidade Por Um Fio”, o qual a protagonista não aceitava seu cabelo cacheado porque pessoas brancas caçoavam dele quando era pequena, excluindo-a, e logo deixando o trauma em sua cabeça de que seu cabelo era feio por não ser igual do restante. Portanto, este fato apenas dificulta a superação do problema.
Por conseguinte, é notório a urgência de medidas para a situação. Dessarte, é necessário que a mídia social e televisiva elaborem projetos que abordem o enaltecimento negro, como a criação de séries, filmes, propagandas, entre outras formas de abordagem do assunto, com profissionais capacitados também negros, para uma maior inclusão nos projetos de modo amplo, para que assim haja uma maior inclusão e valorização do negro na sociedade, assim como sua maior representatividade.