ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 12/07/2020
O filme “Estrelas além do tempo”, dirigido por Theodore Melfi e baseado no livro “Hidden Figures”, retrata a história de três mulheres afro-americanas que trabalhavam para a Nasa durante a Guerra Fria e que revolucionaram a história ao provarem que eram os elementos cruciais para a solução da equação que levaria a vitória aos Estados Unidos da América. Fora de ficção, é fato que a discriminação racial se baseia fortemente na teoria evolucionista do naturalista Charles Darwin e nas raízes coloniais, provenientes da escravidão gerada no período do Brasil Colônia. Dessarte, verifica-se a necessidade de medidas para atenuar tal circunstância.
Sob tal perspectiva, é lícito postular, inicialmente, que a teoria evolucionista do século XIX ainda é utilizada erroneamente a fim de justificar ideologias racistas e preconceituosas, fundamentadas na ideia da existência de uma raça superior e outro inferior; na qual os europeus seriam considerados os povos civilizados encarregados de levar desenvolvimento, progresso e avanços tecnológicos às populações mais atrasadas, para que assim atingissem os estágios superiores de civilização. Tal condição pode ser representada pela ideologia do diplomata Arthur de Gobineau, que, segundo suas teorias raciais, o Brasil estaria fadado ao fracasso e ao desaparecimento de toda a população, sendo que a única solução para o país seria a imigração de europeus, classificados como a raça superior.
Outrossim, a influência colonial portuguesa também é um agravante nesse contexto. A herança da opressão colonial, a marginalização dos afrodescendentes e o genocídio indígena são fenômenos que perduram mesmo após quase meio milênio de anos. Como consequência, nota-se um grande caráter racista na sociedade, mesmo que de modo cordial (o famoso racismo que não se mostra racista). Prova disso foi a publicação do livro “Racismo cordial” (1995) pelo Instituto Datafolha, que obteve a conclusão, por meio de um rigoroso levantamento em todo o Brasil, de que o brasileiro é caracterizado por esse tipo de preconceito. Essa cordialidade é representada na discrepância entre os que consideram haver racismo (89% dos brasileiros) e os que se admitem racistas (apenas 10%).
Infere-se, portanto, que, ações devem ser realizadas para a amenização desses impasses, alcançando, então, a superação do racismo. Para tal, cabe à ONU (Organização das Nações Unidas), que objetiva a paz e o desenvolvimento mundial, garantir os direitos da população preta; sensibilizado a sociedade mediante ao apoio às ações antirracistas, com a contribuição de verbas e orientação aos indivíduos para que não instituam essa discriminação em suas famílias. Isso pode ser efetuado pela mídia, grande influenciadora social, por intermédio de uma maior inclusão da população preta em propagandas e filmes, por exemplo. Assim, será dado um grande passo para o fim desse preconceito.