ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 05/08/2020

Lançada no início da década de 2000, a música “Negro Drama” do grupo “Racionais MC’s” teve repercussão nacional. Por meio de seus versos “entre o sucesso e a lama”, a obra reflete acerca das dificuldades enfrentadas pela população negra do Brasil devido aos preconceitos presentes na sociedade. Com o intuito de reverter esse cenário, foi sancionada, em 1989, a LEI Nº 7.716, que considera como crime passível de pena de prisão qualquer ato de discriminação racial. Entretanto, apenas essa ação não foi suficiente para combater o racismo no país. Frente a isso, é importante analisar que isso ocorre em razão do legado histórico deixado pela colonização e é reforçado pelos padrões construídos socialmente.

A princípio, cabe ressaltar que houve, no Brasil, quase 500 anos de escravidão negra. Nesse contexto, mesmo depois da abolição da escravidão, em 1888, a parcela afrodescentente da população passou por um processo de exclusão social. A exemplo do acesso à educação, à moradia e a trabalhos formais, os recém-libertos não desfrutavam dos mesmos privilégios dos demais. Esse cenário colaborou para a realidade vivida pelos negros atualmente. Como prova disso, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as taxas de favelização, analfabetismo e desemprego são maiores na população negra. Assim, fica explícita a influência da história do país em sua sociedade.

Além disso, vale salientar que os paradigmas socialmente impostos também influem nessa circunstância.  Nesse sentido, desde o início da indústria midiática, foram impostos padrões brancos, determinados, sobretudo, por clara, cabelos loiros e nariz afinado. Sob essa perspectiva, a falta de representatividade negra contribui para reforçar o racismo na sociedade brasileira. A título de exemplo, na década de 1950, a cantora estadunidense Marilyn Monroe tornou-se, por intermédio dos meios de comunicação, o padrão de beleza a ser seguido. Como resultado dessa escassez de referência, a primeira Barbie negra foi lançada, conforme a Mattel, quase 20 anos após a primeira boneca.

Em síntese, o racismo persiste na sociedade brasileira em decorrência de sua herança histórica associada aos paradigmas impostos pela sociedade. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), mediante a criação do projeto “Nossa História”, que inclui palestras e aulas de história e sociologia nas escolas, instruir a população acerca da importância do respeito à diversidade. Ademais, as indústrias, como principais formadoras de padrões de beleza, devem, por intermédio da contratação de atores e modelos negros, promover a diversidade racial nos meios de comunicação das massas. Dessa maneira, essas medidas devem ser tomadas com a finalidade de combater o racismo que persiste na sociedade brasileira desde a sua formação.