ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 09/08/2020
No livro, “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, é retratado as vivências dos moradores da favela do Canindé, na cidade de São Paulo, em que a discriminação racial e social através de invisibilidade, agressão verbal e física, é fato constante no cotidiano da autora. Logo, o racismo é mazela ainda presente na sociedade brasileira. Certamente, para a mudança desse status quo, deve-se compreender a herança da cultura escravocrata e a falta de inclusão de afrodescendentes à educação de qualidade e ao mercado de trabalho.
Em primeiro lugar, a origem desse preconceito vem de mais de quinhentos anos atrás. Por analogia, no século XVI, a igreja católica portuguesa, argumenta a legalidade da escravidão de africanos com a justificativa de que negros não possuem alma, e com a influência dos líderes religiosos sob a política da época, o preconceito e segregação persistiram na comunidade colonial, mesmo após a promulgação da Lei Áurea em 13 de Maio de 1888. Dessa forma, desconstruir o padrão de pensamento transmitido e enraizado na população, é a chave para uma nação mais justa e igualitária para a classe predominante que, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, é de não-brancos, que se encontra enferma de desigualdade e descaso.
Por conseguinte, o acesso limitado à instituições de ensino e a dificuldade da conquista de vagas em cargos de maior hierarquia, são entraves na busca pela qualidade de vida. Sob o mesmo ponto de vista, a cantora brasileira, Tássia Reis, evidencia na música “Da Lama”, de 2016, a luta que as minorias enfrentam para encontrar um emprego digno e fugir da criminalidade. Desse modo, o empenho para garantir o sustento básico em trabalhos precários, é um fator considerável que interfere na continuidade dos estudos, e consequentemente na qualificação profissional, aumentando ainda mais a desigualdade e fortalecendo o esteriótipo dos tempos da colonização do Brasil.
Portanto, é notório que o Estado tome providências para superar o impasse, para que o preconceito de raças seja combatido. Urge que o Poder Legislativo faça propostas de inclusão e subsídios para negros e pardos terem acesso a educação e a atividades ocupacionais que promovam o sustento e bem estar, por meio de cotas maiores em universidades públicas, empresas e órgãos públicos, além de auxiliar com o custo de alimentação e transporte, a fim de garantir a permanência e conclusão acadêmica dessas pessoas. Assim, contribuindo com a representatividade e desconstrução do padrão de pensamento hostil transmitido do passado. Somente assim, será possível se distanciar da realidade vivida por Carolina, em “Quarto de Despejo”.