ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 15/09/2020
Uma pesquisa realizada pela revista Veja, em agosto de 2020, revelou que apenas 61% dos brasileiros consideram que o Brasil seja, de fato, um país racista. É um dado surpreendente. Ainda que a maioria da população tenha consciência do impacto da discriminação racial na atualidade, cerca de 40% negam haver racismo no país. Desse modo, conclui-se que os caminhos para enfrentar o preconceito começam, em primeiro lugar, pelo devido reconhecimento da sua existência e, em segundo, por medidas de valor prático, que atuem na realidade, a exemplo das políticas de cotas raciais.
Antes de qualquer coisa, deve-se identificar o racismo estrutural como um problema contemporâneo e combate-lo. Nessa linha, torna-se fundamental confrontar a equivocada tese de que a Lei Áurea igualou brancos e negros quando promulgada em 1888, pois os resquícios da escravidão, expressos no darwinismo social e em eventos históricos — como a Revolta da Chibata —, trataram de conservar as diferenças raciais na sociedade brasileira ao longo das décadas. Prova disso, é a própria Câmara dos Deputados, que teoricamente deveria representar a heterogeneidade do povo brasileiro e, no entanto, é formada majoritariamente por parlamentares brancos (mais de 90% do total). Portanto, o racismo é um problema indubitavelmente atual e deve ser reconhecido como tal.
Ademais, há de se considerar as cotas em universidades como uma importante forma de enfrentamento à discriminação. Embora haja certa polêmica acerca do tema, estas políticas públicas são, de uma forma ou de outra, importantes ferramentas do Estado para diminuir as diferenças socioeconômicas acumuladas no decorrer da história. Além disso, não há que falar em baixo rendimento destes alunos ou coisa do tipo, haja vista que, como noticiou a Folha de São Paulo em 2017, os alunos cotistas demonstraram ter resultados semelhantes aos demais alunos nas provas avaliativas do Enade, entre 2004 e 2016, o que derruba, pois, o mito de que eles não seriam capazes de acompanhar os demais.
Dessa maneira, entende-se que o enfrentamento ao racismo requer a ampliação das cotas, mas, sobretudo, o aprofundamento do conhecimento acerca das raízes históricas do Brasil. Sendo assim, o Ministério da Educação deve, por meio dos recursos da União, criar projetos que incentivem debates periódicos nas escolas públicas e privadas a respeito do assunto, visando abordar temas como a importância da cultura africana e indígena para a constituição do povo brasileiro e a presença da discriminação nas redes sociais, por exemplo. Desta forma, o conhecimento histórico tornar-se-á um importante e efetivo elemento de combate ao preconceito, mitigando, então, a problemática.