ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 02/09/2020

“Grey’s Anatomy” é uma série americana que retrata o cotidiano médico de um hospital. Nesse sentido, em um de seus episódios, um paciente recusou-se a ser atendido por uma médica negra, pois, de sua percepção, não era apropriada para exercer tal cargo, e que ao invés de praticar a medicina deveria trabalhar na limpeza. Fora da ficção, a barbaridade mostrada na obra é um fato na sociedade brasileira, visto que, estatísticas evidenciam que constantemente pessoas pretas são subjugadas. Desse modo, um contexto-histórico escravocrata e a desigualdade social apresentam-se como desafios no combate ao racismo.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a escravidão, que perdurou durante séculos, afeta diretamente a sociedade nos dias atuais. Em resumo, escravismo foi uma prática exploratória em que afrodescendentes eram legalmente definidos como mercadoria. Embora tal ato tenha sido abolido no Brasil em 1888, não lhes foram concedidos cidadania igualitária, com efeito, instaurou-se na população um preconceito e, por conseguinte, uma exclusão social. Como consequência, atualmente,  segundo dados publicados em 2017 pelo sítio Exame, negros são 37% mais vulneráveis a pobreza que brancos. Dessa forma, fica evidente que a cor da pele influencia na marginalização racial.

Ademais, a desigualdade social contribui para o aumento do racismo. Isso porque, após a promulgação da Lei Áurea, não houve apoio estatal voltado para reinserção de negros na população. Assim, sem condições e recursos financeiros mínimos inerentes à sobrevivência, não estavam qualificados para pleitear direitos em uma sociedade de segregação. Nesse viés, 132 anos após a abolição, ainda são negligenciados pelas políticas públicas. Dados apresentados em 2019, pelo sítio Correio Braziliense mostram que 8 em cada 10 analfabetos são pretos. Como resultado, há uma alta taxa de desemprego e baixo acesso à moradia, assim sendo, vivem em favelas e sofrem discriminações baseadas em traços fenotípicos.

Portanto, visando combater o racismo no Brasil, faz-se necessário que o Governo Federal crie, por meio de verbas públicas, políticas estruturais que viabilizem o acesso da população negra à educação e garantam que terão iguais condições de competir no mercado de trabalho. Dessa forma, diminuirá as taxas de analfabetismo e desemprego, e poderão ocupar diferentes níveis hierárquicos sociais, sem que haja discriminação por cor da pele. Somente assim, será possível combater a marginalização e destruir a imagem associada do negro à subalternidade e, consequentemente, amenizar a vulnerabilidade baseadas em estereótipos. Feito isso, a conduta inconveniente vivenciada na série deixará de ser realidade no mundo contemporâneo.