ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 18/09/2020
O quadro “A Redenção de Cã”, de Modesto Bosco, foi utilizado na Primeira Conferência Universal de Raças, ocorrida no início do século XX, em Londres, como representação do que o Estado brasileiro esperava que acontecesse com a população do país. A obra evidencia o imaginário da época acerca da população negra como “raça inferior”, ideia esta que repercute até os dias atuais, implicando em desigualdades raciais, fruto do racismo estrutural no Brasil, o qual precisa ser combatido veementemente pelo governo e pela sociedade.
Inicialmente, cabe salientar, que o racismo é uma construção histórico-social, oriundo de um contexto de expansão imperialista europeu, com vistas à dominação e à exploração da América, da África e da Ásia, baseado no ideal de superioridade do homem branco europeu frente ao povos colonizados. Nesse período, surgem pensamentos que tentam justificar a superioridade branca e marginalizar a população negra sob um esteriótipo associado ao mal, como a doutrina do cientista italiano Cesare Lombroso, que segundo suas ideias haveria características morfológicas do homem delinquente e, quase sempre, estava associada a imagem do negro. Embora tal doutrina date do século XIX, essa ideia persiste até os dias atuais, que se evidencia, por exemplo, na atuação policial diferenciada ao abordar negros e brancos, como o caso noticiado de Evaldo Rosa, músico negro morto com mais de 80 tiros do Exército brasileiro ao ir num chá de panela em uma comunidade do Rio de Janeiro.
Ademais, outro fator que contribui para a persistência do preconceito e do racismo é a falta de acesso equânime a direitos básicos, como a educação. Conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são poucos os negros que têm acesso ao ensino no país, apenas 34% dos alunos de ensino superior são negros. Embora se adote a política de cotas no ingresso às universidades públicas, trata-se de ação de curto prazo e insuficiente para corrigir as desigualdades sociais enfrentadas pela negritude, que precisa de mais representação nos setores na sociedade e de ações afirmativas capazes de garantir seus direitos numa sociedade que cada vez se torna mais concorrente e mais exigente.
Nesse contexto, vê-se a necessidade de ações para combater o racismo no Brasil, para tanto cabe à União, aos Estados e suas polícias promoverem melhor qualificação do corpo policial para a redução de crimes por parte de policiais contra a população negra, por meio de cursos de formação que incluam a disciplinas das ciências sociais, como Antropologia e Sociologia, de forma a tornar os profissionais mais conscientes e humanos, já que entenderão que teorias como de Cesare Lombroso são ultrapassadas e contribuem para a violação de direitos de parcela da população historicamente marginalizada.