ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 21/09/2020

Os protestos diante o assassínio do homem negro George Floyd, nos Estados Unidos, ocuparam manchetes no mercado todo. No Brasil, porém, um dos países com maior morte de jovens negros, nunca viu-se semelhante fato. O racismo brasileiro é particular, e seu combate deve permear o reconhecimento de privilégios.

Neste sentido, o contexto brasileiro torna-se peculiar ao demonstrar-se velado. Enquanto as injúrias estadunidenses sustiveram-se, historicamente, sob amparo legal, notadamente por meio das leis Jim Crow, o racismo brasileiro, desde a Abolição, fez-se sutil. Isto é fruto, claro, de seu obliterar pelas classes dominantes, mas igualmente da desarticulação negra. Assim, se nos Estados Unidos a comunidade negra articula-se segregada em guetos, aqui, embora grande parte da população preta albergue-se em favelas, não há tal coesão. Porquanto nunca houve no país um movimento, tal como o pelos direitos civis americano, a trazer consciência política. Ademais, influentes ideológicas, como o “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, culminam no falso imaginário da democracia racial. O racismo velado é, pois, óbice ao controle do problema, devendo ser pelejado pelo explicitar dos privilégios brancos.

Tais privilégios expressam no Brasil racista vantagens sociais pelo simples fato de ser-se branco. Como exemplo : o menino negro João Pedro, brutalmente executado pela polícia carioca dentro da casa dos tios durante uma operação. Uma pergunta que pode ser feita por qualquer um, a elucidar o preconceito no caso : “Você gostaria de ser tratado como um preto na nação?”. Outrossim, questionou a brancos a psicóloga social Lia Schucman. O “não” foi unânime. Mesmo assim, ao indagar-lhes sobre a possibilidade de aplicarem-se cotas raciais, ouviu-se a mesma resposta. Portanto, muitos brasileiros, ainda que anuviados pelo racismo velado, reconhecem as facilidades proporcionadas pela pigmentação branca.

Em suma, combater o problema no Brasil passa pelo fim do privilégio branco, como visto, sabido por muitos, embora ambíguo em meio ao racismo velado. Para tal, educadores, mais especificamente sociólogos, devem visar desconstruí-los às novas gerações. Amparados por contextualização socio-histórica e conhecimento da didática pedagógica, hão de ministrar aulas, apresentar filmes e indicar leituras aos estudantes.