ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 01/01/2021

Depois de mais de 350 anos de escravidão, o Brasil, em 1888, assina a Lei Áurea e se torna o último país americano a abolir o trabalho escravo. No entanto, não é realizada nenhuma política de amparo a essa população, o que possibilita com que as chagas da desigualdade social perdurem até hoje. O reflexo dessa história é o racismo estrutural presente na sociedade brasileira, fato que evidencia a necessidade de mudanças substanciais, cabe destacar a melhoria e intensificação das ações afirmativas como forma de atenuar essa diferença.

Deve-se pontuar, a princípio, que a premissa filosófica de São Tomás de Aquino, é que todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Nessa lógica é notável que o governo não cumpre o seu papel enquanto agente capaz de diminuir a desigualdade entre as classes sociais, uma vez que não proporciona aos afrodescendentes o mesmo acesso as riquezas que seus antepassados geraram sem receber nada em troca. A lamentável marginalização e ausência de cuidados a qual foram submetidos os ex-escravos é percebida no espaço geográfico das grandes cidades, o que revela o despreparo do estado. Assim sendo, a solidificação da política de cotas nas universidades é fundamental para mitigar o problema do racismo estrutural.

Além disso, outra problemática enfrentada é a falsa ideia que o Brasil é uma democracia racial, ou seja, livre de racismo e de discriminação. Isso acontece devido a uma visão rasa de estudiosos que deveriam se aprofundar nas origens da desigualdade e escancarar os problemas enfrentados por algumas parcelas da população, mas por não pontuá-los gera uma letargia social. Essa gênese fica evidente sobre o pensamento do filósofo Jean Jaques Russeau, ao dizer que o homem nasce livre, mas a toda parte se encontra acorrentado. Desse modo, a ideia de um país livre sem preconceitos produz na sociedade concepções errôneas a respeito do racismo e aponta uma visão abjeta sobre a inexistência desse problema, o que deve ser atenuado por meio de uma percepção de que o desequilíbrio existe para ser combatido.

Infere-se, portanto, a necessidade de se reforçar que o racismo é grave no Brasil e que o caminho para combatê-lo é papel da sociedade e que as ações de cotas são um meio para mitigar a desigualdade. Nesse viés, é imperioso que o Ministério da Educação elabore curtas-metragens e documentários com profissionais que somente acessaram o ensino superior por meio de cotas, sendo divulgados em horário nobre nas emissoras, em redes sociais e nas salas de aula. Com o propósito de demonstrar para o corpo social que essas políticas são uma oportunidade de capacitar indivíduos que, pelo abismo social, não teriam essa chance.