ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 08/01/2021
São Thomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tradadas com a mesma importância. Porém, a questão do racismo contraria a visão do filósofo, uma vez que, no Brasil, a comunidade afro-brasileira é vítima de descriminação cada vez mais constante, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado histórico, bem como pela falta de debate.
A princípio, a falta de um melhor entendimento histórico sobre a participação negra na construção da sociedade brasileira caracteriza-se como um complexo dificultador. Sob essa ótica, de acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a injúria racial, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado colonial brasileiro, uma vez que, naquele cenário, a população negra foi escravizada e considera inferior aos povos de etnia branca. Assim, como consequência, o racismo se tornou uma prática socialmente aceita, o que dificulta seu extermínio por forças externas.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a falta de debate acerca do tema. Nesse sentido, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Desse modo, é possível perceber uma lacuna no que se refere ao debate em torno do racismo e suas consequências na sociedade, que ainda é muito silenciado no cenário político-social, visto que, segundo reportagem do G1, apenas 15% dos cargos políticos são assumidos por pessoas de origem afro-brasileira. Evidencia-se, portanto, que é necessário discutir amplamente tal assunto, pois, assim, será possível atuar com mais eficiência em relação ao problema.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, as escolas, em parceria com a prefeitura, devem promover a criação de um espaço para rodas de conversa e debates em torno da injúria racial, com o objetivo de conscientizar a população sobre o problema. Sendo assim, tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, esses eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao racismo e se tornem cidadãos atuantes na busca por resoluções.