ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 30/01/2021
O racismo é uma forma de discriminação que tem raça como alvo. Se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes, como um conjunto de hábitos, ações ou falas embutidas nos nossos costumes, que promovem direta, ou indiretamente o preconceito e a segregação racial. No Brasil, a desvalorização da população negra se estruturou durante o período colonial, transformando-se em uma herança histórica que há séculos os marginaliza. Esse cenário é refletido diariamente na vida de milhões de pretos e pardos, e por isso, políticas públicas devem ser elaboradas, visando reparar aqueles que foram sistematicamente colocados à margem da sociedade brasileira, e promovendo um futuro mais justo para as próximas gerações.
Em primeira instância, é necessário discutir também como essa estrutura reforça as desigualdades sociais. Uma vez que, a escravidão foi abolida no país, mais de um milhão de pretos foram “adotados” à sociedade sem nenhum suporte financeiro ou social. Apesar da abolição, muitos ex-escravizados ainda continuaram a trabalhar para famílias ricas, já que não foram devidamente inseridos, tendo mínimas chances de alcançarem lugares mais prósperos na vida. Logo, se viram obrigados a ocuparem os morros por todo o país, e até hoje, a maior parte dos pretos e pardos moram em favelas, trabalham em serviços menos valorizados, e compõem, desde a abolição, a maioria no sistema penitenciário brasileiro. “Liberdade parcial não é liberdade”, a fala de Nelson Mandela sintetiza tanto o cenário citado, como o atual, que apesar de diferente, ainda aprisiona a população negra na base da pirâmide social brasileira.
Ademais, outro aspecto importante a ser discutido é a naturalização e minimização do racismo e dos movimentos negros e antirracistas. Podemos usar como exemplo, o fato de muitos não questionarem a falta de representatividade negra em lugares de poder, como nos Sistemas Legislativo e Judiciário, em grandes empresas e até na mídia. O fetichismo escravocrata, visto em novelas de épocas e nas polêmicas festas promovidas pela Vogue Brasil, onde pessoas negras e itens culturais foram usados como decoração, ajudam a manter a ideia de que a população negra é submissa, não pertence a posições importantes, além de objetificar sua cultura e não dar a devida importância ao seu combate. Portanto, compete ao Ministério da Justiça, em conjunto ao Poder Legislativo, promover leis que exijam a representação da população negra na educação, na mídia, no Governo e na área da saúde. Essa ação deve ser feita por meio de ações afirmativas, nas quais visam dar mais espaço e oportunidades para pretos e pardos em todos os setores da sociedade, com o objetivo de reparar os danos causados pelo racismo estrutural e abrir portas para um país mais justo.