ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 02/04/2021

A série “Todo mundo odeia o Chris”, desenvolvida por Chris Rock, denuncia, de forma minuciosa e humorística, o racismo sofrido pela população negra. Para isso, o criador da narrativa trabalha com os mais sútis aos mais gritantes comportamentos racistas presentes na sociedade estadunidense. Nesse sentido, apesar de se apresentar, muitas vezes, de maneira diferente dos Estados Unidos, o preconceito racial no Brasil é também extremamente agressivo, denotando desde práticas naturalizadas a desigualdades sociais e preconceitos escancarados.

A partir disso, considerando o desenvolvimento histórico e social brasileiro nos últimos 500 anos, percebe-se que a preconceito racial esteve presente desde o início da formação do país, sendo que a escravização oficializada fez parte de mais de 50% da história. Dessa forma, ao apontar os diversos dados referentes as violências, desigualdades e oportunidades, comparando as porcentagens entre pretos e brancos, pode-se dizer que existe uma falsa ideia de democracia racial. Como exemplo, pode ser citado o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que aponta o fato dos indivíduos pretos somarem 75,9% dos brasileiros assassinados, de 2008 a 2018.

Paralelo a isso, esse falso sentimento de democracia racial é sustentado, muitas vezes, por práticas institucionais, culturais e interpessoais implícitas e naturalizadas, as quais colocam um grupo, em detrimento da sua cor de pele, em posições inferiores e excludentes, conceito esse chamado de racismo estrutural. Assim sendo, além dos frequentes casos de racismos explícitos, comportamentos preconceituosos estruturais são ainda mais recorrentes. Dessa forma, uma exemplificação dessas microagressões seria o fato das pessoas brancas, diversas vezes, relacionarem, de forma inconsequente e automática, cortes de cabelos ou penteados afro, como o black power e os dreads, em pessoas negras, como algo mal cuidado ou sujo.

Diante o exposto, fica evidente a necessidade de desenvolver medidas que ajudem a combater essa situação no Brasil. Portanto, considerando, principalmente, as diferentes violências e práticas racistas presentes veladamente entre os indivíduos, isto é, o racismo estrutural, seria de extrema importância investir nas áreas educacionais com o intuito de trabalhar as ideias preconceituosas vindas do próprio desenvolvimento e criação das pessoas. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com os Centros Municipais, poderia incluir no conteúdo programático das escolas temáticas sobre racismo e a importância de combatê-lo. Além disso, visando tratar a discrepância existente entre as diferenças de oportunidades, uma melhor administração federal poderia ser feita por meio de políticas públicas contra violências e redução das desigualdades, tanto acadêmica quanto profissional.