ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 05/04/2021

O Brasil foi o último país da América Latina a acabar com a escravidão, sendo formalizado apenas em 1888 com a Lei Áurea.  Evidentemente, esse atraso histórico deixou marcas em nossa sociedade, a principal delas foi o racismo. Na contemporaneidade, ele ainda é analisado como um grande problema social. Isso se deve sobretudo a influência da mídia e a falta de punição. Desse modo, é úrgente a reversibilidade do cenário em questão.

Apesar do racismo ser proibido por lei, ele permanece na mídia de maneira estrutural e sistemica. Neste contexto, o livro “Cores e Contornos” da jornalista Gabrielle Bettelbrum, problematiza a falta de diversidade nas capas de revistas brasileiras e mostra que entre os anos de 2004 a 2014 apenas 5% das capas tiveram mulheres negras. Reiterando assim, desigualdades em relação a determinados grupos, em especial das mulheres negras. A desconstrução da normalidade da discriminação se faz, portanto, necessário.

Ademais, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, a “banalidade do mal” consiste na idéia que o pior mal é aquele que passa despercebido, ou seja, como algo comum. Em analogia a esse pensamento, vemos a intensa onda de discurso de ódio que acontece nas redes sociais, e tem se tornado um problema muito presente nos dias de hoje. A menina Titi, por exemplo, filha do ator Bruno Gagliasso sofreu ataques racistas pela internet, o crime porém foi considerado como injúria racial, afirmando assim a ineficiencia da lei contra o racismo. Dessa maneira, evidencia-se a necessidade de reformulação da lei n⁰7716/1989.

Torna-se imprecindível, portanto, a tomada de atitudes que mitiguem os efeitos do racismo no Brasil. Para isso, é papel da mídia, atuar de maneira mais inclusiva, por intermédio de capas de revistas e campanhas publicitárias que coloquem mulheres negras como protagonistas, com intuito de fazer mudanças de aspectos sociais em pról de mais igualdade, passando visibilidade e reconhecimento a grupos que são alvo de discriminação. Assim como, cabe ao Poder Legislativo, igualar a injúria ao crime de racismo, mediante projeto de lei, com o propósito de transformar a injúria em crime hediondo. Dessa forma, será possível atenuar as marcas deixadas pelo período escravocrata no Brasil.