ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 12/05/2021

Na série “Olhos que Condenam”, da Netflix, é retratado o racismo institucional em sua forma mais radical. A narrativa se desenvolve com cinco adolescentes negros que, injustamente, foram acusados ​​de estuprar e assassinar uma jovem branca. Fora da ficção, no Brasil, o racismo, tal qual apresentado na série, faz-se presente, já que a sociedade, influenciada pelo processo histórico, tornou-se etnocêntrica. Dessa forma, deve-se discutir as causas do racismo no Brasil e suas consequências, com vista a necessária atuação do Estado para tal desconstrução.

Em primeira análise, vale destacar que o Brasil está perdendo o conceito de integração social. Nesse sentido, segundo Carolina de Jesus, o negro só é livre quando morre. Em verdade, ocorre que as transformações históricas, com destaque à escravidão, e à ausência de uma ação direta no combate ao racismo levaram ao negro somente se tornar livre quando, de fato, morre, como Carolina defende. Desse modo, para erradicar o racismo deve-se ter em vista políticas públicas.

Consequentemente, associando o processo histórico a falta de ação efetiva, desenvolve-se o racismo estrutural. Nessa ótica, para Silvio Luiz de Almeida, o racismo se expressa concretamente como desigualdade política, econômica e jurídica. Na realidade, acontece que a permanência de tal problema, como Almeida afirma, afeta diversas áreas da sociedade - economia, política -, uma vez que o indivíduo, enquanto racista, modifica o meio em que vive a ponto de se satisfazer etnicamente. Assim, para adversar o racismo precisa-se, primordialmente, desconstruí-lo em sua origem.

Portanto, medidas para combater o racismo são necessárias, já que o Brasil, em sua história, demonstrou inadequada compreensão da etnia negra. Nesse âmbito, o governo federal deve criar, por meio de verba pública, um aplicativo que permita a vítima de racismo relatar, de forma anônima, o ocorrido. A partir disso, com as informações, o governo deve tomar as medidas cabíveis para fazer jus ao padecente. Somente assim, será possível combater o racismo e desconstruir, tanto no contexto da série da Netflix quanto na realidade da vítima racista, o sofrimento social.