ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 15/06/2021
O rapper Djonga, um dos nomes mais influentes do cenário do rap atual, ganhou grande destaque com sua lírica baseada em ácidas críticas sociais, principalmente pautadas em questões raciais. Em consonância, a sociedade contemporânea enfrenta grandes dilemas a respeito dos caminhos para combater o racismo no Brasil. Sendo assim, infere-se que o racismo estrutural e o uso da força como ferramenta de segurança são questões que precisam ser resolvidas para combater o preconceito racial. Logo, medidas são necessárias para reverter o quadro atual.
Nessa perspectiva, é valido retornar às consequências geradas pelo racismo estrutural na sociedade. Assim, após a abolição da escravatura, no ano de 1888, o Estado não desenvolveu políticas que visassem inserir a população negra na sociedade, e dessa forma, ocasionou sua marginalização e exclusão social. Esse fato culminou no distanciamento histórico entre negros e brancos, no qual a população preta ficou fadada a vulnerabilidade social, carecendo de direitos básicos e ocupando regiões periféricas. Por conseguinte, no século XXI, apesar da população ser majoritariamente negra, essa parcela não é representada de forma alguma, principalmente nas esferas públicas e locais de prestígio econômico. Portanto, o racismo enraizou-se entre os brasileiros e casos de injúria racial tornaram-se comuns no país tupiniquim.
Outrossim, é imperativo pontuar que o uso da força como uma política de segurança acaba por reforçar a segregação e o preconceito já existente. Ademais, é constantemente noticiado casos de mortes ocasionadas por balas perdidas em operações policiais, porém, as grandes chacinas são sempre realizadas nos espaços periféricos e as balas sempre atingem a mesma cor de pele. Sendo assim, Mbembe, filosofo e historiador camaronês, analisou que o racismo presente no Estado fomentou a política de morte e a essa deu o nome de Necropolítica, na qual o governo exerce o pode de decidir quem morre e quem vive. Logo, o corpo que está fadado a morte é aquele que já sofre as consequências do padrão de raça.
Em síntese, medidas são necessárias para a população encontrar os caminhos de combate ao racismo. Para tanto, é necessário que o governo federal reformule sua política de segurança pública. Isso será feito por meio do investimento no treinamento embasado em uma abordagem correta e segura dos profissionais de segurança, a fim de tornar as operações eficazes e sem mortes. Em paralelo, as escolas devem pontuar o racismo nas salas de aula, por meio de discussões didáticas nas disciplinas de ciências humanas, com o fito de desenvolver consciência racial nos jovens. Dessa maneira, o preconceito racial será visto como um problema de todos e caminhará para sua resolução.