ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 01/08/2021

“A carne mais barata do mercado é a carne negra”. Esse trecho da música “A Carne”, da cantora Elza Soares, evidencia uma situação calamitosa bastante presente no Brasil, o que traz sérias consequências à vida de muitos seres humanos. Nesse sentido, em razão de reflexos históricos e de uma educação deficitária, emerge um grave problema: a discriminação do povo preto.

Diante desse cenário, vale destacar que um passado marcado por uma hierarquia racial reflete, diretamente, nas condutas de uma grande parcela da população atual. À vista disso, em 1888, apesar de a abolição da escravatura ter emergido, não houve planos para inserir os pretos na sociedade, o que, com a forte presença do Darwinismo Social — pseudociência que tenta mostrar a superioridade do homem branco — os ex-escravos foram ainda mais excluídos. Sob esse ângulo, ao se observar os tabus enraizados no país, percebe-se que o racismo é algo que vem desde o período colonial e ainda marca influência, já que não são raros os casos de discriminação contra o povo negro, como o de um vídeo que viralizou nas redes sociais, no qual uma senhora chama um pintor e seu filho de “negrada do inferno”. Assim, é inadmissível que, mesmo após séculos desde a Lei Áurea, uma ultrapassada hierarquia racial ainda exista no consciente de uma grande parcela do povo.

Ademais, é importante salientar que uma péssima educação é outro grave fator à perpetuação dos preconceitos. Nesse viés, consoante Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à intolerância racial, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que nunca abordou — e ainda não aborda —, de modo eficiente, as graves consequências do racismo, como o aumento do risco de suicídio e de doenças mentais. Logo, um possível caminho para combater esse empecilho é usar o raciocínio de Kant: fazer a nação crescer intelectualmente a partir de um ensino de qualidade.

Infere-se, portanto, que a mídia, que tem papel fundamental na organização, legitimação e curadoria das informações, deve desenvolver um evento nas redes sociais, por exemplo, no YouTube, a qual mostre a terrível experiência de seres humanos que foram tratados mal por conta da cor de sua pele. Por sua vez, o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, precisa criar um projeto pedagógico, por intermédio da adição de uma nova matéria na grade escolar, a qual mostrará aos alunos os principais problemas da sociedade atual, incluindo o racismo. Diante do pressuposto, tal proposta terá a finalidade de tornar as novas gerações mais engajadas na luta por igualdade. Dessa forma, espera-se fazer com que todas as carnes tenham o mesmo preço no mercado.