ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 14/08/2021
A Terceira Geração Romântica no Brasil, no século XIX, ficou marcada pela indignação dos poetas em relação às injustiças sociais do período, com destaque para a escravização de africanos. Na atualidade, mesmo com o fim da escravidão, nota-se a dificuldade de encontrar caminhos para combater o racismo no Brasil, visto que os indivíduos afrodescendentes seguem sendo alvo de injustiças de cunho racial. Em vista disso, cabe formular estratégias para alterar esse cenário, fruto do legado histórico e da formação familiar.
Em primeira análise, vale examinar o profundo impacto da escravidão na sociedade. Em suma, a subjugação do negro pelos colonizadores moldou a forma como ele é visto por muitos até os dias atuais, resultando na formação do esteriótipo de que o negro seria desprovido de capacidade intelectual e que sua única relevância seria como mão de obra. Por conseguinte, dificulta-se a busca por caminhos para combater o racismo no Brasil, enquanto o afrodescendente contemporâneo é, frequentemente, vítima de violência desmedida, como se vê no espancamento de João Alberto, homem negro morto por dois seguranças brancos em uma filial de supermercado.
Ademais, é preciso ressaltar o papel da família enquanto agravadora da situação. Em síntese, segundo o sociólogo estadunidense Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades. Isso implica dizer que crenças, modos de viver e de ver o mundo são passadas de geração em geração. Dessa forma, pais com ideais racistas transmitem essa aversão para seus filhos, que, não raramente, incorporam esses ideais e os manifestam em ações discriminatórias, como, por exemplo, contar piadas de cunho ofensivo. Assim, os caminhos para o combate ao racismo no Brasil tornam-se ainda mais ocultos.
Portanto, percebe-se a importância de medidas estruturais para fazer frente ao problema. Para isso, é fundamental a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Educação, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que a família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de relatos de experiência, dados estatísticos, visando a quebra da ideia de suposta inferioridade do homem negro. Desse modo, é possível que a preocupação com as injustiças sociais seja tão presente na sociedade contemporânea quanto era na mente dos poetas da Terceira Geração Romântica.