ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 31/08/2021

O racismo é uma ideologia que pressupõe a existência da raça branca considerada superior e, por isso, deve dominar outras. Tal ideologia está presente, principalmente, no século XX e tem como principais propagadores o professor Nina Rodrigues e, em alguma medida, o escritor Monteiro Lobato. Importa afirmar que o racismo é um tema complexo devido às relações sociais brasileiras e que poderá ser combatido a partir da superação da democracia racial e ampliação das ações afirmativas.

A sociedade brasileira nega a prática do racismo. A democracia racial é fruto dessa negação e está amparada na obra de Gilberto Freyre que afirmava existir uma relação de comunhão entre negros e brancos. Essa teoria resultou em uma ideia de pacificação racial devido a miscigenação, pois, segundo Freyre, o brasileiro seria uma mistura do índio, do português e do negro africano. Houve, assim, uma tentativa de construir uma identidade firme na mistura de raças e que ainda persiste na sociedade, por exemplo, o vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou: “Para mim, no Brasil não existe racismo”. Morão deu essa declaração ao comentar o caso de João Alberto, homem negro espancado até a morte por seguranças da empresa Carrefour. Diante disso, a persistência da democracia racial dificulta o combate efetivo ao racismo, visto que este torna-se um problema para poucos e é invisibilizado por muitos.

Ademais, a superação do racismo na sociedade brasileira também poderia ocorrer por meio da ampliação das ações afirmativas. Estas destinam-se a pessoas historicamente discriminalizadas e  podem ser direcionadas para o campo educacional. A educação é uma área que possibilita a ascensão social e econômica de grupos tradicionalmente vistos à margem da sociedade. Logo, com a ampliação das cotas raciais para diferentes níveis educacionais, como mestrado e doutorado, seria possível observar a presença de pessoas negras em diferentes postos de trabalho, como professores universitários ou recepcionistas. Dessa forma, os indivíduos não ficariam surpresos ao serem atendidas por um médico negro em um posto de saúde e, logo, haveria uma maior adesão a uma imagem mais positiva dos negros resultantes do processo de representatividade oriundo das ações afirmativas.

Em suma, torna-se imprescindível a tomada de medidas com a finalidade de que a democracia racial seja superada. Assim, o governo federal poderia intensificar a capacitação de profissionais da educação sobre o tema de racismo, por meio de cursos “on-line” em parcerias com as secretarias de educação. Assim, esses agentes seriam capazes de ministrar cursos nas escolas para os alunos serem informados e sensibilizados da questão racial brasileira. Outro ponto seria a ampliação das ações afirmativas por meio de parcerias entre o governo federal e o setor privado com o intuito possibilitar a entrada de cotistas no mercado de trabalho. Dessa forma, haveria um efetivo combate ao racismo.