ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 17/09/2021

Nessa conjuntura, é necessário pontuar que o racismo é consequência direta do período colonial escravocrata brasileiro, quando o negro é introduzido como mão de obra escrava, visando atender aos anseios mercantis da metrópole portuguesa. Em “Um defeito de cor”, a autora Ana Maria Gonçalves retrata a cruel realidade da vida daqueles que foram escravizados e mercantilizados - reduzidos à mercadoria, privados de sua cultura, de seus direitos. Posteriormente, a abolição da escravatura em 1888, da forma que foi feita, não alterou as péssimas condições de vida do negro, tampouco o inseriu de forma igualitária na sociedade, a fim de reparar as consequências do passado de escravização. Pelo contrário, sem qualquer tipo de reparação, indenização ou política social, eles ficaram “a própria sorte”. E em grande parte,sem uma alternativa de trabalho,moradia, saúde e alimentação,ou seja, de sobrevivência.

Como resultado, tendo em vista a falta de políticas públicas para reinserir os negros na sociedade no período após a abolição, a histórica discriminação racial favorece a persistência da vulnerabilidade e alheamento  social, uma vez que, estatisticamente, a população negra é a mais afetada por problemas sociais. Desse modo, esse grupo, em sua maioria, ainda padece de óbices como a falta de acesso à segurança alimentar, moradia, saneamento básico, saúde, educação e qualificação profissional etc. Esse execrável quadro é retratado por Carolina Maria de Jesus em “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, livro autobiográfico, cuja fidelidade se encontra  no relato testemunhal do horror cotidiano vivido não apenas por ela, mas por milhões de outras brasileiras e brasileiros situados à margem de seus direitos civis mais básicos, de condições básicas para uma vida digna.

Frente a tal problemática, faz-se urgente, pois que o Estado realize ações afirmativas -  isto é, políticas públicas que visam promover a inclusão socioeconômica de populações historicamente privadas do acesso a oportunidades - a fim de minorar a desigualdade e injustiça social e combater a discriminação racial no país. Entre essas ações, deve-se incluir, mediante o redirecionamento de verbas, por força de lei, cotas em diversos níveis de ensino e em concursos públicos, estímulo à contratação, reserva de vagas prioritárias em programas de habitação. Somente assim, será possível criar um país mais igualitário e justo, conforme previsto no artigo 5 da CF, afastando a realidade dos absurdos retratados por Carolina Maria de Jesus.