ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 13/09/2021
Durante a colonização lusitana, a introdução da mão de obra escrava e negra foi fator principal de incentivo ao início do racismo no Brasil, em razão da visão desses indivíduos como inferiores. A Lei Áurea, sancionada em 1888, apesar de colocar um fim lícito ao período de escravatura, não proporcionou maneira de solução dessa controvérsia. Sob esse viés, a discriminação racial continuou a ser propalada e, até o presente, o combate dessa realidade ainda enfrenta muitos desafios. Dentre esses, tem-se não só a propagação do mito da democracia racial, como a exclusão dessa parcela do meio de trabalho.
Primeiramente, cabe o entendimento da imersão da população em uma noção enganosa de igualdade integral. Segundo Gilberto Freyre, criador do mito supracitado, o país conta com uma sociedade miscigenada e harmoniosa, resultante de relações respeitosas entre senhores e escravos. No entanto, essa visão não considera que a cordialidade era, na realidade, sequela de violência sexual com as escravas. Nessa perspectiva, constata-se que o discurso professado hodiernamente, ou seja, um meio racial justo e neutro, é baseado em uma percepção equivocada, a qual corrobora com hábitos de cunho racista. Desse modo, com uma interpretação aprofundada sobre os pilares do pensamento atual, o mito da democracia racial torna-se elemento desafiador para o combate do racismo no Brasil.
Outrossim, a falta de representação negra nos diversos espaços públicos de trabalho também é um obstáculo na resolução da problemática. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as taxas de desemprego são superiores ao serem relacionadas com a população negra. Nesse contexto, concebe-se um questão estrutural, visto que a formalização de práticas como, a dificuldade de contratação e a facilidade de demissão desses indivíduos, acaba por consolidar não só a exclusão dessas pessoas dos meios de ofício, mas também normaliza práticas discriminatórias. Logo, a partir do cenário exposto, são necessárias medidas efetivas para reversão da polêmica.
Portanto, é dever do Estado, instituição máxima de poder, por meio de anúncios publicitários veiculados em mídias populares, explicitar a importância do reconhecimento da faliabilidade da democracia racial, a fim de anular sua influência no julgamento público. Ademais, é preciso que o Ministério do Trabalho, órgão de responsabilidade atribuída, por intermédio de um processo de contratação padrão que priorize capacidade técnica, promova o fim da discriminação em espaço de ofício, visando estimular a presença negra nesse ambiente. Assim, é viável o êxito nos caminhos para combater o racismo no Brasil.