ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/09/2021
O Darwinismo social, ideal surgido no século XIX, colocava-se na ideia de que existem indivíduos superiores aos outros. O preconceito, então, passou a ter um viés científico, numa tentativa de justificar a dominação de pessoas menos favorecidas. Apesar do hiato temporal, percebe-se que ainda hoje tal pensamento encontra respaldo em diversas ações humanas, como os constantes casos de racismo no Brasil. A partir desse contexto, é válido discutir como essa prática persistiu durante os períodos.
É preciso, de início, desmistificar a ideia que o racismo é um problema apenas da contemporâneidade e, assim, compreender as raízes do Brasil. Isso porque trata-se de um conceito construído histórica e socialmente, desde o período colonial até hoje, persistindo por diversas épocas e se naturalizando como um marcador social de diferença. Essa conjuntura pode, ainda, ser respaldade no pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu, o qual denominou de ‘‘habitus’’, o processo cultural que um comportamento social pode ser visto como banal, já que é práticado há muito tempo e acontece de forma constante, como a prática do racismo, por exemplo.
Convém pontuar, ainda, que o racismo no Brasil não permaneceu estático, sofreu diversas modificações e arraigou-se no comportamento social. Isso porque, ainda na década de 1930, a percepção que se tinha do negro e do mestiço no Brasil se transforma, mesmo a situação real vivida por eles não tendo sido alterada, a prática racista passou de tabu para fato neutralizado e estabilizado. Dessa forma, o preconceito foi sendo negado, ou atribuído ao outro. Tal fato pode ser observado nos estudos da antropóloga Lilia Schwarcz, a qual afirma que a sociedade brasileira está diante de um tipo particular de racismo, um racismo silencioso que se esconde por trás de uma suposta garantia da universalidade e da igualdade das leis, lançando para o terreno do privado o jogo da discriminação.
Nota-se, portanto, que a questão do racismo no Brasil deve ser combatida. Para isso, é fundamental que a mídia, que é influenciadora do comportamento social, em parceria com o Ministério da Educação, criem um programa didático, o qual contará com a presença de personalidades especialistas no assunto, a fim de educar e mudar a mentalidade da população. Tal ação pode, ainda, promover debates on-line com discussões sobre a pauta racial. Ademais, cabe ao Estado, que é garantidor dos direitos individuais, em conjunto com grandes canais de comunicação de concessão estatal, desenvolver leis mais efetivas, que serão amplamente divulgadas no meio digital para atingir mais pessoas, visando combater e evitar práticas racistas. Assim, a sociedade brasileira poderá garantir o exercício da cidadania de todos os setores sociais e, finalmente, ultrapassar antigos paradigmas.